Alegre, herdeiro de Camões, recebe prémio

Em sala nobre e cheia de amigos no Palácio da Ajuda, Manuel Alegre recebeu o Prémio Camões das mãos de António Costa, do embaixador do Brasil e do ministro da Cultura.

O primeiro-ministro fez questão de afirmar que hoje, como sempre, poesia é liberdade. Nessa frase pretendeu sintetizar o percurso do mais recente galardoado com o Prémio Camões, Manuel Alegre.

Já antes o representante do Brasil elogiara a obra e a vida do poeta e a presidente do júri, Paula Morão, enumerara as vertentes dessa produção que se inicia em 1965 com o livro A Praça da Canção.

O poeta agradeceu, referindo que nenhuma revolução poética cria uma revolução política mas a poesia durante a ditadura teve um papel político, quanto mais não fosse só pela frescura do que se escrevia. Reivindicou a herança do património da cultura em língua portuguesa na sua obra e agradeceu aos leitores, considerando que o Prémio Camões é deles.

António Costa fez questão de prometer uma atenção especial à modernização da língua portuguesa. De seguida ouviram se alguns poemas musicados de Alegre pela fadista Maria Ana Bobone.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.