Açucarados tesouros madeirenses em exposição em Lisboa

O Museu Nacional de Arte Antiga inaugura amanhã "As Ilhas do Ouro Branco - Encomenda Artística na Madeira (séculos XV-XVI), uma seleção das obras que os dividendos do açúcar trouxeram para a ilha.

Antecipando os 600 anos do descobrimento da Madeira, o Museu Nacional de Arte Antiga inaugura esta quarta-feira a exposição As ilhas do ouro branco - Encomenda Artística na Madeira (séculos XV-XVI), um conjunto de obras cuja chegada coincide com a pujança económica da ilha fruto do cultivo e comércio de açúcar.

Um produto que se tornou tão importante na economia local que entrou nas armas da cidade do Funchal e ainda hoje permanece e cuja evocação se faz na exposição que na quinta-feira abre ao público através de um pote de purgar o açúcar, um pão de açúcar, gravuras do processo e objetos com as armas gravadas.

Estas são algumas das 86 peças selecionadas pelos curadores Fernando Baptista Pereira e Francisco Clode de Sousa para a galeria de exposições temporárias do museu, abrindo as celebrações dos 600 anos da descoberta do arquipélago da Madeira, como avançou o diretor do Museu de Arte Antiga, António Filipe Pimentel.

"É uma exposição que começa em Lisboa porque foi em Lisboa que começaram os Descobrimentos e porque a Madeira é uma região virada para o mundo, dando início às comemorações dos 600 anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo, que se vão prolongar ao longo de todo o 2018 e 2019", segundo a secretária regional da Cultura e Turismo da Madeira, Paula Cabaço.

"Tratou-se de um encontro com uma terra virgem. Ao contrário de África, América ou Oriente, não havia vida autóctone", refere o diretor do museu, enquadrando os acontecimentos do início do século XV quando o Porto Santo é descoberto em 1418 e a Madeira um ano depois. A colonização terá começado em 1425. "É para esse território que se expande a Europa, a partir de Portugal, testado soluções de organização administrativa e eclesiástica, que são depois aplicadas em grande escala no Brasil", acrescenta, referindo-se às capitanias, por exemplo. A Madeira desse século divide-se em três partes. Porto Santo, por lado; o norte da Madeira, com capital no Machico; e o sul, cuja cidade mais importante é o Funchal. Os territórios são liderados por capitães-donatários: Bartolomeu Perestrelo, Tristão Vaz Teixeira e Gonçalves Zarco, respetivamente.

Os cereais foram a primeira forma de exploração agrícola da ilha, substituída pouco depois pela cana-do-açúcar, proveniente da Sicília e já com experiências desenvolvidas no Algarve. São desta zona do país e do Alentejo parte dos primeiros colonos da ilha.

A cana sacarina aclimatou-se à Madeira tal como se "aclimatou uma elite de cavaleiros fidalgos mercadores que se revela original na sua encomenda e que ultrapassa a própria encomenda régia", segundo o diretor.

As peças que aqui se mostram são oriundas do acervo do próprio Museu Nacional de Arte Antiga, como o retábulo de São João de Latrão, mas sobretudo do Museu de Arte Sacra da Madeira, do Museu da Quinta das Cruzes e de várias igrejas e capelas espalhadas por toda a diocese, como explica o curador Francisco Clode de Sousa, diretor de serviços de Museus e Património da Madeira, comissário da exposição. "Não são só peças de museus, estão também em igrejas e capelas", refere. "Ainda temos alguns casos capelas muito pequenas e modestas cujo interior tem um esplendoroso retábulo. Isso é uma forma de caracterizar o que foi este apelo do século XVI e este deslumbramento pela importação de grandes obras de arte. Com esta dupla dimensão: grandes em dimensão e grandes em qualidade".

"As Ilhas do Ouro Branco - Encomenda Artística na Madeira (séculos XV-XVI) pode ser vista até 18 de março.

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