A que é que soam os orgasmos femininos?

A banda sonora de um filme pornográfico ou a música criada com um strap-on e uma guitarra elétrica. O som do prazer feminino, na visão delas

"New Intimacy", assim se chama o movimento que coloca artistas mulheres a mostrarem a perspetiva feminina do prazer e orgasmo femininos. O Festival de Música Contemporânea de Londres dedicou três noites ao tema e mostrou o trabalho de várias compositoras, como Carolee Schneeman, Claudia Molitor ou Kajsa Magnarsson.

O movimento não é novo. Em 1990, a acordeonista e artista experimental Pauline Oliveros, falecida em 2016, compôs a banda sonora do filme pornográfico feminista "The Sluts and Goddesses Video Workshop".

A película foi protagonizada e co-dirigida pela ex-estrela de filmes para adultos, Annie Sprinkle. Foi visionada durante o festival e trouxe novamente à baila um tema que nasceu na década de 80 e onde a música pornográfica convencional povoada por "aconchegantes saxofones e oleosas guitarras baixo" - na discrição do jornal The Guardian - deu lugar a sons divertidos, táteis e inquisitivos, como os de Pauline

Kajsa Magnarsson, por sua vez, apresentou uma peça intitulada "Strap-On and Electric Guitar" em que usa um strap-on e uma guitarra elétrica para demonstrar a que é que pode soar o prazer feminino.

As abordagens a esta "nova intimidade" ou apenas a intimidade do ponto de vista das mulheres, levou também artistas como Claudia Molitor a pedir à audiência para seguir uma folha de instruções sugerindo a melhor ordem para comer doces, pipocas ou mastigar batata frita.

"Espera-se das mulheres que não façam nada que seja considerado inapropriado. Muitas passam a maior parte das suas vidas a fazer coisas que as deixam desconfortáveis. Bem, isto nem sequer é novidade. Mozart disse-o em Cosi Fan Tutte: as mulheres sentem os mesmos desejos do que os homens".

Veja o trailer do trabalho de Kajsa Magnarsson, "Strap-On and Electric Guitar":

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João Gobern

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