"A lusofonia não corresponde a um projeto neocolonialista"

Castro Mendes fotografado na biblioteca do Palácio da Ajuda

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes escreve desde os 15 anos e assume que os lugares por onde passou marcaram a sua escrita

O ministro da Cultura esteve como diplomata em Luanda, Madrid, Paris, Rio de Janeiro, Budapeste, Nova Deli e, entre outros locais e funções, também Paris. Antes de funcionário do Estado foi poeta, depois a política nem sempre lhe deu tempo para os versos, mas de há uns anos para cá tem vindo a dedicar-se à arte. Confessa que tantas paragens não moldaram a sua poesia, pelo contrário, libertou: "Enriqueci muito a minha experiência de vida e a minha maneira de ver as coisas com todas estas experiências". Destaca Rio de Janeiro e Nova Deli. "Sem desprimor para outros locais", avisa logo.

Acha que vai ser o mesmo poeta depois de deixar de ser ministro?

Nunca se sabe que poeta vamos ser ou não. Escrevo desde os 15 anos e atravessei diferentes fases da minha vida, percurso que se nota perfeitamente na sucessão de livros que publiquei pelos cortes no tempo. Portanto, não sei o que serei. "I know not what tomorrow will bring", como diria Pessoa.

Na sua vida pessoal houve sempre muita política e é apanhado pela Revolução. Onde fica o poeta?

Separo a poesia da política porque não é uma atividade específica nem pertenço à escola dos poetas engagés, embora a poesia também não se possa ausentar das questões políticas e sociais. Tenho um livro A Misericórdia dos Mercados que responde de uma maneira poética ao mundo. Ou seja, mais do que um livro de intervenção é de indignação contra uma situação de miséria para que fomos arrastados por fatores de natureza financeira que conhecemos bem. Mas separo, evidentemente, a política da poesia, e se fiz política na juventude, no combate à ditadura como jovem estudante na Faculdade de Direito de Lisboa, se estive nas greves académicas, se fui expulso da universidade, o que acontece é que depois do 25 de Abril estávamos todos empenhados na Revolução. De um lado ou de outro, e o meu empenhamento foi sempre claramente à esquerda e dentro da esquerda do socialismo. Estive sempre ligado ao primeiro grupo que saiu do MES, ao de Jorge Sampaio e acompanhei também muito o Melo Antunes, com quem vim a trabalhar, até na altura do Documento dos Nove.

Quando entrou no Partido Socialista?

Era um miúdo de 24 anos que em 1977 quando todos os meus amigos políticos decidiram entrar no Partido Socialista - a Intervenção Socialista - disse que votava na adesão ao PS, mas como sou diplomata não posso exercer uma militância política ativa. No entanto, mantive-me sempre ligado durante toda a minha vida às ideias do socialismo democrático, mesmo que a minha intervenção fosse numa esfera de funcionário diplomático.

Separo a poesia da política porque não é uma atividade específica nem pertenço à escola dos poetas engagés, embora a poesia também não se possa ausentar das questões políticas e sociais.

Que não pode ter intervenção...

Um diplomata faz política enquanto funcionário na medida em que obedece às orientações do governo legitimamente eleito, que nem sempre é o do nosso voto. De qualquer maneira, deve desempenhar com lealdade e havendo na nossa política externa uma continuidade nos grandes isso não foi difícil.

Durante a troika foi mais difícil exercer a atividade diplomática?

Não, porque podemos aplicar decisões com que não concordamos, porque não violentavam a minha consciência. Achei que Portugal deveria ter votado pela entrada da Palestina na UNESCO e o facto de o não ter feito não me criou qualquer problema de consciência, até porque politicamente entendo que devemos ter boas relações com Israel.

Referiu Melo Antunes, que é sempre reverenciado. Partilha a reverência?

Totalmente, tenho uma grande admiração por ele. Foi uma pessoa que teve um papel muito importante na contenção dos extremos. É claramente de esquerda, numa linha que se identificaria muito bem com a atual solução governativa e com o atual rumo do PS se fosse vivo. É um homem que teve um grande papel no MFA [Movimento das Forças Armadas] no sentido de constituir uma ideologia democrática coerente e articulada num momento em que existia a grande clivagem de Novembro de 1975. Penso que lhe devemos muito em termos do equilíbrio no nascimento da nossa democracia.

Acha que o golpe, ou contragolpe, de 25 de Novembro está por se perceber?

Eu não consegui perceber por inteiro e nunca está tudo por contar, é por isso que há a história e os historiadores. Quanto a mim, o 25 de Novembro tem uma leitura que importa sublinhar o resultado: foi mantida a democracia e nenhum partido foi excluído da vida democrática em Portugal.

Recentemente assistimos ao óbito de Mário Soares e o povo não foi para a rua na quantidade que se admitiria...

...Menos quantidade do que?

Como com Álvaro Cunhal.

Penso que houve uma grande emoção nacional. O tempo passa e as pessoas estão mais distantes dos acontecimentos da fundação da democracia porque Mário Soares é, sem dúvida, uma grande figura fundadora e central. Teve um papel extraordinário na defesa do regime democrático e, mais perto do fim da vida, na denúncia das derivas de determinadas políticas que apoiavam a grande financeirização da atividade económica.

Neste momento estou a fazer uma recolha da minha poesia e, dos meus livros que estão esgotados

Também foi adjunto de Ramalho Eanes. Ainda não o referiu porquê?

Trabalhei com Ramalho Eanes, por quem tenho uma grande consideração. Foi um homem que desempenhou com honestidade o seu papel, mesmo que pessoalmente não concordasse com a decisão de criar o PRD [Partido Renovador Democrático], no qual muitos dos meus amigos estiveram, até o Melo Antunes. Continuei a considerar que a luta pelos nossos ideais se deveria fazer dentro do PS, ao qual não pertenço. Do qual sou só simpatizante.

A lusofonia não é um termo muito feliz - vem da francophonie -, mas também não é para se deitar fora como o bebé na água do banho

O PRD foi também uma deriva?

O PRD juntou duas coisas: os socialistas mais à esquerda, desiludidos com Soares, e uma certa corrente que acabou por ser a que consolidou o cavaquismo. De qualquer modo, o PRD não não teve eficácia como se viu.

Já falou duas vezes neste governo...

É que começámos a falar de política, portanto é natural que acabe por me escorregar a palavra para a atual solução governativa.

Então, vamos a isso. Gosta do nome geringonça?

O nome foi dado depreciativamente a uma solução de governo, porque é o governo do PS com o apoio parlamentar não incondicional e negociado momento a momento. O que é extremamente salutar para a democracia e para o Parlamento, diga-se. Ora essa solução foi apelidada pelos comentadores como geringonça porquê? Porque estávamos habituados desde o 25 de Novembro à impossibilidade de ter à mesma mesa o PCP e o PS devido a duas conceções de socialismo muito diferente, mas a história mudou e o muro de Berlim caiu e essa realidade estava ultrapassada. Como socialista não posso deixar de dizer que o socialismo é mais atual do que nunca e, como Mário Soares viu muito bem nos anos finais da sua vida, o nosso principal problema é mantermos os valores democráticos contra o império da razão financeira e dentro do quadro europeu, porque nós socialistas acreditamos na Europa. Contrariamente a alguns nossos parceiros, nós acreditamos numa Europa baseada em princípios de solidariedade, de coesão social e de liberdade.

Estranhou o quase fim do PS francês?

Estranhei e lamentei, mas isso só confirma que quando o PS alinha nas mesmas políticas que a direita faz ou diz que não há alternativa perde o apoio. É possível jogar o jogo da União Europeia e ao mesmo tempo satisfazer as reivindicações básicas da população e reverter as políticas que o governo anterior considerava não terem alternativa.

Quando foi anunciado como ministro, o Bloco de Esquerda pronunciou-se de forma bem favorável. Surpreendeu-o?

O Francisco Louçã tinha lido um livro meu e gostou, mas o Bloco de Esquerda não foi além de "o nome pode ser excelente, o que interessa e o que vamos ver são as políticas". Acho realista da parte de Catarina Martins. Penso que o acolhimento foi simpático mas não foi tão entusiástico assim.

Há quem caracterize a lusofonia como uma nova tentativa de colonizar. Concorda?

A lusofonia não é um termo muito feliz - vem da francophonie -, mas também não é para se deitar fora como o bebé na água do banho. A lusofonia não corresponde a um projeto neocolonialista nem neotropicalista. Se rejeitamos essas ideologias lusotropicalistas de que a nossa colonização foi muito bonita e boa, pois foi tão má e tão boa como as outras. O que muitas pessoas esquecem é que a nossa colonização, sendo obviamente tão racista e tão exploradora como as outras colonizações, tem características específicas. Quem as não estuda é que aplica toda a realidade à mesma grelha, e há muito a tendência nas críticas mais fortes à lusofonia a aplicação de uma grelha americana de interpretação à realidade colonial portuguesa. Quanto à lusofonia, temos um entendimento muito grande entre as culturas dos países que falam português e existem muitas coisas em comum e sobre as quais podemos trabalhar para construir objetivos comuns. É apenas isso, portanto deitar fora essa ideia dizendo que é neocolonialista é ridículo. Primeiro, porque Portugal nunca poderia ser um país neocolonialista. Segundo, a ideia do colonialismo cultural vem das teorias da dependência ou subalternidade - que tive ocasião de estudar na Índia - mas não se nos aplicam. A relação entre o Reino Unido e os indianos não é a mesma relação entre os portugueses e os povos com que contactaram, há pois que manter uma posição de equilíbrio. A lusofonia é um termo aceitável sem a ganga lusotropical, não a devemos deitar fora.

Vamos à obra. Começa em 1983 com o livro Recados. Um livro que desapareceu. Não se reconhece nele?

Neste momento estou a fazer uma recolha da minha poesia e, dos meus livros que estão esgotados, não me reconheço muito naquele livro. Porque é muito principiante. Não o pus nas poesias reunidas que editei em 1999 e não estou a ponderar também nesta edição.

Não há um único poema de que goste?

Há sempre, até porque temos sempre uma relação paternal com os poemas. Falando da experiência de olhar para a trás para a minha poesia, o que estou a fazer é olhar para coisas com que me identifico ou não. A verdade é que a pessoa que em 1994 escreveu aquilo já não sou eu e tenho o direito de censurar essa pessoa. Dou um exemplo: Carlos de Oliveira. Ele emendou o seu trabalho poético de 1971, os sonetos da Terra de Harmonia, e trabalhou-os num sentido que se compreende qual era o objetivo, o de pôr os sonetos mais antigos de acordo com o estilo que na altura gostava mais.

Que também fazia nos romances.

Sim, transforma-os imenso. Pessoalmente, prefiro os sonetos na forma antiga, o que me fez pensar sobre o que irei retirar de coisas antigas. Será que tenho direito em 2017 a mexer no meu trabalho de 1994?

Nunca vai fazer uma obra completa?

A obra completa só depois de morto e aí não posso fazer previsões.

Então o que vai publicar?

Quero fazer um livro com que me identifique. Não é uma grande seleção mas não vou juntar tudo.

Há quem refira que em Recados já se compreendiam as grandes linhas da sua poesia.

Sim, há um texto de um crítico que diz isso... Está a dar-me um argumento de ponderação, portanto daqui a pouco esta entrevista torna-se uma reflexão do próprio autor sobre o que vai fazer com o seu livro... Houve pessoas que receberam bem o livro, portanto que direito tenho em dizer não a Recados? Herberto Helder estava sempre a mudar o poema mas o seu poema era contínuo e ganha-se muito em ler as suas sucessivas edições. É uma obra que vai construindo, portanto vale a pena ler tudo e todas as suas versões são boas.

Não choca que Carlos de Oliveira seja quase ignorado hoje em dia?

Há muitos escritores esquecidos e alguns sempre foram mal conhecidos, o que é mais impressionante são os escritores que eram muito estimados numa época e desaparecem. Em todo o caso, Carlos de Oliveira é reeditado a nível académico, faz parte do cânone de qualquer poeta/autor. O conhecimento público da literatura contemporânea hoje passa muito pelas leituras recomendadas nas escolas, que é um objetivo do Plano Nacional de Leitura, e passa pelas oportunidades de edição.

Vamos refazer o Plano, para ser mais inclusivo e menos restringido à área da educação básica e secundária

O Plano Nacional de Leitura espelha ou não a nossa riqueza literária?

Vamos refazer o Plano, para ser mais inclusivo e menos restringido à área da educação básica e secundária. O propósito é aliar o trabalho das bibliotecas públicas e escolares de uma maneira mais sistemática e apoiada. Porque de vez em quando há que mexer nos cânones e voltar a chamar um autor como Branquinho da Fonseca, Ferreira de Castro ou Fernando Namora.

Falando de cânones, até há pouco tempo Camões era considerado o grande poeta nacional...

..E é...

...mas cada vez mais Fernando Pessoa tenta ficar-lhe com esse lugar?

Ele já tentava quando escreve a Mensagem porque aquilo é um anti-Lusíadas. O poeta, como dizia Harold Bloom, tem sempre uma referência que é uma espécie de pai contra quem ele luta. É uma espécie de coisa freudiana em que o poeta ao afirmar-se tem de ser contra a grandeza dos poetas que o precederam. Não quer ser um mero imitador e pretende introduzir uma rutura, e o grande poeta é isso que faz em relação aos grandes poetas do passado. Que Fernando Pessoa se tenha querido medir diretamente com Camões, aliás, ele próprio dizia que vinha aí o super Camões - que era ele. Eu não diria Fernando Pessoa primeiro e Camões segundo ou Camões primeiro e Pessoa segundo, são realmente os dois grandes poetas da nossa língua. Fernando Pessoa é de facto uma revolução na literatura mundial e não apenas na literatura portuguesa.

Nunca pensou criar heterónimos?

Eu? Não, Pessoa já o fez.

Não há alguma poesia sua que é mais autobiográfica do que a outra?

O que já fiz como Browning com os monólogos dramáticos na voz de outras pessoas. Utilizava a Marquesa de Alorna ou Filinto Elísio num romancezito que publiquei - que está esquecido -, o Correspondência Secreta. Foi um livro que me divertiu muito escrever.

Na ficção tem também as Areias Escuras. Revê-se nele?

Não, Areias Escuras foi uma tentativa, um esboço. Não me revejo. Foi uma tentativa de ficção que não chegou a ser nada de sólido.

Nunca pensou voltar à ficção?

Não, a ficção obriga-nos a um trabalho continuado e quando se tem uma vida mais complicada ficamos afastados do ato de escrever. Agora, é evidente que trabalhar um romance obriga a um trabalho contínuo, os poemas a gente vai escrevendo, eu até já escrevia diretamente no computador, tomava umas notas, depois passava. Escrevo normalmente no computador os poemas, depois há o trabalho de organização dos poemas, de construção do livro, e finalmente a publicação. Mas os poemas vão surgindo, vão surgindo com os dias e com as experiências, com a experiência da Índia, com a experiência do mundo, os poemas surgem de um encontro de uma consciência com uma experiência, depois com uma vontade de trabalhar a linguagem porque sem trabalho de linguagem é evidente que não há poesia.

O seu trabalhar da linguagem encaixa-se num modo mais clássico. Não pretende romper?

Contrariamente ao que se diz, não sou só um poeta de formas fixas. Não tenho vergonha nenhuma disso, pois o Vasco Graça Moura também o era, Carlos de Oliveira fez também muito boas coisas assim, o Jorge de Sena fez excelentes sonetos e é um enorme poeta. Portanto, não tenho problema algum, mesmo que repita, tenho muitos poemas em verso livre.

Refere-se a Outro Ulisses Regressa a Casa?

Sim, mas há um outro livro, A Ilha dos Mortos, que quando tem formas fixas elas são parodiadas.

Vejo pela reação que conhece bem a crítica ao seu trabalho?

Conheço, tenho um dossiê com todos os artigos que foram escritos sobre os meus livros. A receção dos livros varia muito e tem muitos fatores em conta, nós próprios gostamos mais e menos de umas coisas conforme o tempo e as novas vozes que surgem. Não me cabe a mim dizer qual é o meu lugar na poesia do meu tempo, mas penso que a partir de Lendas da Índia encontrei um caminho mais interessante. Modos de Música e Outras Canções são livros de que gosto, menos presos aos espartilhos formais do que Viagem de Inverno e O Jogo de Fazer Versos, e introduzem uma outra dimensão. Todos os que não estão no mercado estão esquecidos, por isso quero reeditar os anteriores.

A Índia levou-o a escrever um livro. Pode dizer-se que é autobiográfico?

Sim, são várias reações a circunstâncias, aliás basta ler epígrafe que diz que a poesia é a crítica da vida, ou seja, é a resposta a determinadas experiências. Tinham-me proposto escrever um livro sobre a Índia, mas percebi rapidamente que não ia ser capaz e a única maneira que tinha de responder àquela experiência extraordinária era a poesia. Um prudente estudioso inglês dizia que qualquer pessoa que chega à Índia diz no primeiro dia que vai escrever um livro, passado um mês que vai escrever um artigo e passado um ano ou escreve uma grande obra ou não vale a pena. Existem muitos livros sobre a Índia, alguns bonitos, outros interessantes, a maioria superficiais. Quem chega à Índia, defronta-se com uma civilização extraordinária e, no meu caso, reagi através dos poemas.

Considera que a língua portuguesa está a ser "explorada" pelos sucessivos governos como um bom fator ou não?

A promoção da língua no estrangeiro é realizada pelo Instituto Camões, naturalmente que o Ministério da Cultura não se alheia nem da promoção da língua no estrangeiro nem do ensino da língua, mas a nossa prioridade está na cultura e não na língua - com todo o respeito pela importância da língua.

Vai conseguir convencer o ministro das Finanças, Mário Centeno, a dar mais verbas ao Ministério da Cultura ainda durante o seu mandato?

Já tivemos um aumento de 2016 para 2017, ficando o orçamento em 200 milhões. O que representa um crescimento de 20 milhões.

Mas já atinge o 1% ou ainda não?

Não, 1% não. Aliás, o importante não é o 1% mas termos mais investimento na Cultura. O raciocínio do 1% esquece que muito investimento público da cultura se faz por outros meios que não o Ministério. Portanto, quero mais orçamento para a Cultura mas não ponho como meta 1%. Quem me dera ter 1%, mas não é isso que quero porque temos de contar também com todas as entidades públicas que trabalham no setor.

O que pode fazer o ministro pela Cultura em Portugal?

Pode fazer muitas coisas. Deve zelar pela preservação e utilização ativa e criativa do património, apoiar a criação artística e literária e a internacionalização da cultura. Ser um facilitador.

Não será uma forma de dinamizar também a economia portuguesa?

Sem dúvida, porque as indústrias criativas produzem riqueza e não são consumidoras de subsídios. As pessoas têm uma ideia da cultura como uns sujeitos que vivem a mendigar subsídios ao Estado sem ver aquilo em que a cultura produz riqueza e o acréscimo que dá ao PIB e que tem efeitos no turismo. Sabemos que o turista de classe média quer conhecer o património e a cultura e ter experiências diferentes. Claro que quer conhecer a gastronomia, mas também os costumes, as danças populares, o artesanato, a arte - a arte portuguesa é menos conhecida do que deveria ser no mundo. Por isso, a defesa e o investimento no património é um dever patriótico porque é fundamental para mantermos esta atratividade que o turismo cultural representa. O turista atual não viaja para ir à praia, beber cerveja e embebedar-se, esse não é o turista que queremos, tal como já não é só o turista que vai para o golf e para o hotel de luxo unicamente. Claro que todos os turismos nos interessam, mas o turismo que verdadeiramente vai desenvolver e está a transformar o país é de classe média culta que quer conhecer.

Enquanto ministro teve que apagar vários fogos no sector. Isso leva-nos aos últimos acontecimentos que abalaram a governação. Como vê os pedidos de demissão de colegas ministros?

Acho que não se justificavam. O ministro Azeredo Lopes e a ministra Constança Urbano de Sousa estiveram à altura das suas responsabilidades. Quem tem que fazer o julgamento é o primeiro-ministro e é assim que se tem feito, o que é normal em democracia.

Por que poema queria ser recordado?

Creio que gostava de ser recordado por todos mas se me pedirem para escolher o preferido diria que é todo o livro chamado A Ilha dos Mortos, de 1990, porque corresponde a qualquer coisa muito importante na minha vida. Que é o encontro com a minha mulher, se quisesse ser indiscreto porque a poesia não é a vida das pessoas, ou a vidinha, é mais do que isso.

Sabe recitar os seus próprios poemas?

A minha memória é má. Se me tivesse avisado, teria trazido um livro.

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