A inspirada fuga do poeta

"Neruda", Pablo Larraín

Chegou-nos há pouco tempo o primeiro título norte-americano de Pablo Larraín, Jackie, centrado em Jacqueline Kennedy. Chega-nos agora Neruda, realizado também em 2016 e propondo outro olhar sobre um dos vultos da sua pátria chilena.

Há equivalências entre ambos? Com certeza. Estas personagens sobre as quais Larraín foca o olhar são apologistas da fantasia, e é através desse substrato criativo que o cineasta abre caminho para um determinado conhecimento biográfico.

Neruda será o mais adornado em termos de imaginação: o poeta (Luis Gnecco), que iniciou a fuga política de um Chile anticomunista em 1948, é aqui retratado numa saga de fascinante nervura policial. No seu rasto segue um detetive (Gael García Bernal) que, entenda-se, não passa de uma criação literária... dele próprio. Entre os dois, Larraín labora uma requintada dinâmica poética.

Classificação: ***

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