A desconhecida do Norte-Expresso

Crítica ao filme "The Commuter - O Passageiro", de Jaume Collet-Serra

Quarta colaboração entre Liam Neeson e Jaume Collet-Serra, neste action movie não há nada para ver senão a perseverança do primeiro. "Tenho 60 anos", diz logo no início quando é despedido da empresa onde trabalha, com o olhar mais abalado deste mundo. Segue-se um misterioso encontro, no comboio que apanha todos os dias para casa, com uma desconhecida que lhe oferece uma avultada quantia de dinheiro em troca de um favor: identificar um passageiro.

E aqui temos Neeson a entrar em modo suspense (uma malograda atmosfera hitchcockiana), para no minuto seguinte expor os dotes performativos no campo da ação

O cansaço e maturidade do protagonista ainda redimem as grandes trapalhadas do filme, como a inépcia dos diálogos, mas tirando essa admiração pela diligência do ator, The Commuter não passa de um pobre exercício de género.

Classificaçã: * (Medíocre)

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.