A canção que faz a revolução toma o Terreiro do Paço

Dos dois lados do Atlântico, portuguesa e espanhola, a música de intervenção celebra-se no Terreiro do Paço, hoje, às 21.30.

"Cambia lo superficial, cambia también lo profundo, cambia el modo de pensar, cambia todo en este mundo". Os versos da canção Todo Cambia, popularizada pela argentina Mercedes Sosa ecoam no auditório da sede da Orquestra Metropolitana. Os gestos largos do maestro Cesário Costa pedem intensidade aos músicos e aos membros do Lisboa Cantat, acompanhando os cantores Lura, Vitorino, Silvia Pérez-Cruz, o tenor Mário Alves e a soprano Marina Pacheco no palco improvisado onde se ensaia para o concerto Canções com Revoluções, que acontece esta noite, às 21.30, no Terreiro do Paço, em Lisboa, assinalando o 25 de Abril. De entrada livre, como acontece entre hoje e amanhã um pouco por todo o país (ver caixa ao lado).

Marina Pacheco, Vitorino, Lura e Silvia Pérez-Cruz cantam hoje no Terreiro do Paço com o tenor Mário Alves e o cantor António Zambujo

António Zambujo é o nome que falta ao grupo que vai cantar o repertório escolhido por Luís Varatojo, diretor artístico deste espetáculo em que se canta em português e em espanhol, pois o concerto também faz parte da programação da Capital Ibero-Americana da Cultura, que se realiza este ano em Lisboa. "A ideia era abordar a canção de intervenção neste espaço geográfico - Portugal, Brasil, Chile, Argentina, México, Espanha", explica o músico.

Ao todo, são 26 canções, com arranjos de Pedro Moreira. Dos portugueses José Afonso, José Mário Branco, Fausto, Sérgio Godinho ao brasileiro Chico Buarque, passando pelos chilenos Julio Numhauser (Todo Cambia) e Violeta Parra (Gracias a La Vida). Das tradicionais como La Cucaracha, que foi do folclore espanhol para a revolução mexicana, à cubana Hasta Siempre ou a Ay, Carmela, da Guerra Civil Espanhola, que será interpretada por Vitorino. "Uma canção muito querida para mim, já sei quase desde que nasci", diz o músico ao DN. "Sou o cantor português de serviço ao castelhano", brinca.

"Fiz uma pesquisa profunda sobre este tipo de repertório, algum já conhecia - o cubano e algum mexicano", precisa Luís Varatojo. "Há canções que as pessoas já não se lembram, mas conhecem, sobretudo naquele período pós-revolução em que a canção de intervenção teve muita produção e chegavam cá coisas vindas de outros países", completa. "Depois houve um encontro entre o que eu achava que era uma seleção significativa destes países e o que se enquadrava bem com os cantores". Todos cantam a solo ou em dueto. Por exemplo, Lura interpreta O que Faz Falta, Liberdade e Lembra-me Um Sonho. "Estou a achar esta oportunidade muito boa por poder cantar estes grandes homens", diz a cabo-verdiana. "Nunca os tinha cantado desta forma tão responsabilizada. Nunca fui muito revolucionária, sou mais pacífica", justifica a cantora, de 41 anos, acrescentando: "Mas se calhar chegamos a esta idade e já queremos falar mais alto". Dentro da sala, o coro e o tenor Mário Alves ensaiam El Pueblo Unido.

Quando chega a vez de Silvia Pérez-Cruz interpretar Gracias a La Vida, da chilena Violeta Parra, recebe um aplauso dos músicos. "Surpreendi-me de ser convidada para vir aqui", ri-se. "Ainda não entendo se alguém ou ninguém me chonhece [em Portugal], mas gostei muito de ser convidada". A cancion de protesta faz parte do seu repertório, já interpretou Abril 74, e compôs recentemente a banda sonora de um filme sobre despejos chamada No Hay Tanto Pan. "Sou mais de fazer revolução sentimental, mas nesse filme achei que era importante falar do que se estava a passar".

Todo Cambia é o momento de reunir todo o elenco em palco, depois de outro tema obrigatório: Grândola, na voz de Vitorino.

O alinhamento de Canções para Revoluções:

Poemarma - Combo: Pedro Jóia, Alexandre Frazão e Norton Daiello

O que faz falta - Lura

Liberdade - Lura

Lembra-me um Sonho Lindo - Lura

Canción con Todos - Vitorino

Razon de Vivir- Vitorino

Gracias a La Vida - Silvia Perez-Cruz

Corrandes d' Exili - Silvia Perez-Cruz

Los Dos Gallos - Silvia Perez-Cruz

A Mulher da Erva - António Zambujo

A Queda do Império - António Zambujo

Cálice - António Zambujo

Acordai - Coro Lisboa Cantat

A Las Barricadas - Coro Lisboa Cantat

Ay Carmela - Vitorino

Maria da Fonte - Vitorino

Coro da Primavera - Mário Alves

El Pueblo Unido - Mário Alves

La Cucaracha - Mário Alves e Marina Pacheco

La Adelita - Mário Alves e Marina Pacheco

Hasta Siempre - Marina Pacheco

Tanto Mar - António Zambujo

Volver a los 17 - António Zambujo

Fado Tropical - Lura (André Gago lê poema)

Mudam-se os Tempos - Lura

Grândola - Vitorino

Todo Cambia - Todos juntos

Outros concertos grátis um pouco por todo o país

Matosinhos (Salão Nobre)

22.00 | Teresa Salgueiro

Porto (Av. dos Aliados)

22.00 | Capicua

Ourém (Sede do Munícipio)

22.00 | Carlão

Lisboa (Jardins de São Bento)

14.30 | Jorge Palma

Lisboa (Praça do Comércio)

21.30 | António Zambujo, Lura, Sílvia Perez Cruz, Vitorino; Mariana Pacheco (soprano) e Mário Alves (tenor)

Almada (Praça da Liberdade)

22.00 | Camané

00.30 | The Gift

Seixal (frente ribeirinha)

22.00 | Deolinda

Quinta do Conde (Parque da Vila)

22.00 | Virgem Suta

Barreiro (Parque da Cidade)

22.00 | Pedro Abrunhosa & Comité Caviar

Moita (Alhos Vedros)

21.30 | Jorge Palma e Sérgio Godinho

Carnide (Largo do Coreto)

21.45 | Susana Félix

Loures (Pavilhão Paz e Amizade)

22.00 | Trovante

Alcácer do Sal (Largo Luís de Camões)

22.30 | Anjos & Irmãos Feist

Santiago do Cacém (Parque Central)

22.00 | Miguel Araújo

Grândola (junto ao complexo desportivo municipal José Afonso)

22.45 | Tiago Bettencourt e Raquel Tavares

Aljustrel (Praça da Resistência)

21.00 | Dama

Ferreira do Alentejo (Parque de exposições)

22.00 | Amor Electro

Madeira (Funchal - Praça do Munícipio)

21.00 | Ana Moura

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