A belíssima glorificação de Dan Rather em Toronto

Truth é um conto de caução sobre o fim da verdade no jornalismo televisivo. Um dos grandes acontecimentos no Festival.

Depois de Spotlight, de Tom McCarthy ter sido um dos casos com melhor imprensa em Veneza, o jornalismo mais nobre tem agora outra história verdadeira em Toronto, a história do caso que levou à saída de Dan Rather da CBS.

Truth, de James Vanderbilt é até agora a grande surpresa do festival. Um filme de investigação jornalística que retoma o espírito de clássicos como Os Homens do Presidente (1976) e A Última Testemunha (1974), ambos de Alan J. Pakula. Cinema dos anos 70, assumido. Limpinho, limpinho.

É um dos filmes que certamente vai ter um papel predominante na temporada dos prémios, em especial nas categorias de argumento e interpretações, com Robert Redford (que deverá ser proposto para ator secundário) perfeito de classe e rigor como Dan Rather e Cate Blanchett (o seu único problema é a Cate Blanchett de Carol, de Todd Haynes), superlativa como Mary Mapes, a produtora do programa 60 Minutos.

No sábado, na sua estreia mundial no velho cinema Winter Garden do Elgin, os aplausos foram demorados e a emoção na sala muito forte, em parte devido à presença de Dan Rather. Vanderbilt, que se estreia como realizador depois de ter ganho aclamação após o argumento de Zodiac, de David Fincher, conta os acontecimentos que estiveram por detrás da investigação de Rather e da sua equipa do 60 Minutos acerca do passado militar de George W. Bush.

Uma investigação que provava que o então Presidente e candidato ao segundo mandato teria forjado uma campanha militar e desaparecido do seu posto. Quando a história foi mostrada ao público, a administração Bush moveu uma vil campanha a Mapes e a Rather, tendo, mais tarde, a CBS afastado todos os jornalistas que participaram nesta história.

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