2017 será um bom ano de cinema

Como podemos dormir tranquilamente quando sabemos que 2017 terá os novos filmes de Sofia Coppola, Paul Thomas Anderson, M. Night Shyamalan, Martin Scorsese e James Gray? Ao mesmo tempo, é o ano de Star Wars sem spin off e o regresso dos Guardians da Marvel...

Vejamos o que pode acontecer este ano que está aí à porta...Ficarmos numa cave a ser torturados por um psicopata com 24 personalidades é uma delas.

Fragmentado, de M. Night Shyamalan, anuncia-se como grandioso espetáculo do medo, aquele que poderá ser o mais kubrickiano filme do realizador de A Vila. Shyamalan apresenta-nos Kevin, um homem com multipersonalidades, neste caso 23.

A 24.ª é supostamente um monstro e na sua cave estão três jovens indefesas. Sentimos que poderá ser também um desvio de humor psicótico no seu percurso, mas já há quem fale em obra-prima. O escocês James McAvoy é o ator com o desafio de ter muita gente na sua cabeça (há uns anos isto chamava tanto por Jim Carrey...). Chega em fevereiro em cima da tal congestão de estreias a pensar nos Óscares.

E dessa lista já muito falada, entre janeiro e fevereiro convém mesmo lembrar Manchester by the Sea, de Kenneth Lonergan; Silêncio, de Martin Scorsese (está para dia 19 mas ainda pode saltar para fevereiro); La La Land - Melodia de Amor, de Damien Chazelle, Moonlight, de Barry Jenkins, Elementos Secretos, de Theodore Melfi; Vedações, de Denzel Wahshington, Jackie, de Pablo Larraín, e Mulheres do Século XXI, de Mike Mills.

Nesse período quase que se poderiam incluir também mais três títulos que antes estavam supostamente nesta lista de possíveis oscarizados mas que nos últimos tempos têm perdido a embalagem, como é o caso de Rules don"t Aply, do raríssimo Warren Beatty, uma comédia sobre Hollywood assumidamente fora de moda. Para já ainda tem data para Portugal mesmo depois de ter sido ignorado pelo público americano, talvez por a sua atriz principal, Lily Collins, estar nomeada para melhor atriz de comédia ou musical nos Golden Globes.

Mesmo sem o eventual empurrão dos Óscares, Viver na Noite, de e com Ben Affleck, é uma das grandes apostas da Warner. Um épico de gangsters situado na Lei Seca, em Boston. As primeiras críticas nos EUA não foram nada meigas.

Por fim, ainda com algumas possibilidades para uma nomeação surpresa de Michael Keaton em O Fundador, de John Lee Hancock, a cinebiografia de Ray Kroc, o fundador da cadeia alimentar McDonalds. De facto, era um título cujo marketing dos seus produtores perdeu claramente força neste período tão competitivo. Há uns meses tinha uma outra embalagem e Keaton estava na ordem do dia. Ao que se sabe, a sua interpretação é de uma insaciabilidade profunda.

Outro dos "perigos" em 2017 é sermos sugados para o mundo da moda londrina dos anos 1950 e ficarmos fashionistas. E a culpa será de um dos maiores cineastas do mundo, Paul Thomas Anderson que está a filmar em segredo com Daniel Day Lewis uma história nesse período. Só se sabe isso mas "isso" deixa-nos já com insónias. A Focus já conseguiu os direitos do filme e sabe-se que a ideia é estreá-lo no final do ano. Mais uma reunião de uma das duplas mais criativas do cinema, isto depois de Anderson ter estado ocupado com um namorico com a banda Radiohead.

O ano também poderá oferecer-nos sensações de dejá-vu. Muito provável em Victoria and Adbul, de Stephan Frears, em que Judi Dench volta a ser a rainha Vitória, a mesma rainha que tinha interpretado para ele em Sua Majestade, Mrs. Brown, em 1997. Agora é uma história de amizade entre a rainha e um criado indiano. Cinema de chá, na pior das hipóteses...

E já que falamos da veterana, lembrar que estaremos convidados a entrar a bordo de um comboio sem alta velocidade. O comandante é Kenneth Branagh, que tem coragem de fazer o remake de O Crime do Expresso do Oriente, a partir de Agatha Christie. Claro que vai ser atualizado ao gosto das novas audiências e tudo o mais, mas só levará pessoas aos cinemas porque tem um elenco que além de Dench inclui Daisy Ridley (do último Star Wars); Johnny Depp, Penélope Cruz, Michelle Pfeiffer e o próprio Branagh como Poirot.

O ano de Sofia

Remake disse ela. Neste caso, Sofia Coppola que está a filmar a nova versão de Ritual de Guerra, western de culto Don Siegel, de 1971, protagonizado por Clint Eastwood. A história de um soldado da guerra civil americana que procura refúgio num colégio de meninas. Uma parábola aos limites do machismo? Parece-nos bem. Colin Farrell no lugar de Clint Eastwood? Pé atrás, pé atrás...O pé à frente volta quando sabemos que a diretora da escola é Nicole Kidman e que Elle Fanning também está matriculada.

Joaquim de Almeida é um dos atores de Downsizing, nova comédia de Alexander Payne, com Matt Damon. Deverá ser um dos títulos na luta dos prémios em 2018, tal como The Greatest Showman, de Michael Gracey, sobre uma das mais conhecidas famílias de circo da América. Filme feitinho para dar prestígio à carreira de Zac Efron... Se o mundo fosse justo, The Lost City of Z, de James Gray também estaria nessa luta...

Caso pudéssemos só ficar com um blockbuster - sem contar com o episódio VIII de Star Wars, do grande Rian Johnson - , a escolha é de caras: Guardiões da Galáxia 2, de James Gunn. O seu primeiro Guardiões foi o melhor filme de sempre da Marvel e a amostra deste faz rir até às lágrimas. Subversão pop e uma insanidade de sci-fi que têm tudo para voltar a resultar, mas nunca se sabe: o humor pode ter ficado demasiado "convencido". Ver para crer a 4 de maio.

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