20 anos de jazz, do Héritage Café à Real Vinícola

Orquestra Jazz de Matosinhos inaugura hoje a nova (e primeira) sede, ainda em obras, mas pronta para festejar os 20 anos.

"Um regresso às origens, até porque o Héritage Café era mesmo ao virar da esquina [da Real Vinícola]." Assim será o concerto de mais logo, da Orquestra Jazz de Matosinhos, a assinalar os 20 anos de atividade da big band, avança Pedro Guedes. Ou, nas palavras de Carlos Azevedo, com quem partilha a direção musical, "vai ser um concerto vintage". O repertório escolhido explica o porquê: "Fomos ao fundo do baú buscar as primeiras músicas que tanto eu como o Pedro escrevemos para orquestra, as músicas que tocávamos no Héritage Café." Foi nesse café que primeiro mostraram o seu swing, no final de janeiro de 1997 numa altura em que a formação se chamava... Héritage Big Band.

O café já fechou, mas a big band continua e hoje dá o primeiro concerto na sua nova (e primeira) sede. "Esta é uma grande prenda que a Câmara Municipal de Matosinhos nos está a dar", diz Pedro Guedes, ao telefone com o DN, durante o ensaio de ontem, ainda na Casa da Música, no Porto, espaço onde ensaiam desde 2005, ao abrigo de um protocolo que os leva a apresentar três espetáculos por ano na emblemática sala.

Aliás, esse protocolo "obrigou" a uma das grandes mudanças da orquestra nestes 20 anos: deixar de ser apenas uma orquestra de autor, que interpreta temas originais, passando a interpretar repertório de outros compositores, nacionais e internacionais.

Um passo importante, sobretudo no sentido da internacionalização, que já levou estes cinco saxofones, quatro trombones, quatro trompetes, piano, bateria e baixo a salas tão emblemáticas como o Carnegie Hall ou o lendário clube nova-iorquino Blue Note.

"É claro que é importante tocar nessas salas. Mas mais importante é conseguirmos aquilo que pretendíamos quando formámos a orquestra: a nossa intenção era que fosse estrutural e se pudesse comparar com as orquestras do mesmo género a nível internacional", explica Pedro Guedes. Com o sentimento de missão cumprida, a Orquestra Jazz de Matosinhos, denominação ganha no ano seguinte à fundação, está a entrar numa nova fase. Isto porque, explica, não se trata apenas de uma sede: "Vamos ter um espaço para ensaiarmos sempre que quisermos, e onde podemos gravar. Vai ser a nossa sala de cirurgia, um espaço de experimentação."

O espaço na Real Vinícola permite ainda reforçar as atividades do serviço educativo já desenvolvido com as escolas do concelhos e realizar residências artísticas.

As atuações previstas para este ano passam pela apresentação de um programa de compositores portugueses na Casa da Música (11 de maio), um espetáculo com Sérgio Godinho no São Luiz, em Lisboa (17 de junho), e uma atuação com a cantora norte-americana Rebecca Martin, na Casa da Música (30 de novembro). Nesse mesmo mês, a big band de Matosinhos apresenta-se pelo quarto ano consecutivo no Voll-Damm Festival Internacional de Jazz de Barcelona.

Com menos impacto junto do público, mas de igual importância para a orquestra, é a organização do simpósio internacional Computer Music Multidisciplinary Research, porque, explica Pedro Guedes, "o computador tornou-se um instrumento e nós também nos preocupamos com estas coisas". Mais uma vez, algo possível apenas graças à nova sede. Que ainda está em obras e, por isso mesmo, será num ambiente ainda de estaleiro que, pelas 21.30, a Orquestra regressa às suas primeiras composições, quase no mesmo local onde tudo começou há 20 anos.

Informação útil

Orquestra jazz de Matosinhos

Hoje, às 21.30

Real Vinícola, Av. Menéres, Matosinhos

Entrada livre. Marcação de presença através do e-mail info@ojm.pt

Ler mais

Premium

robótica

Quando os robôs ajudam a aprender Estudo do Meio e Matemática

Os robôs chegaram aos jardins-de-infância e salas de aula de todo o país. Seja no âmbito do projeto de robótica do Ministério da Educação, da iniciativa das autarquias ou de outros programas, já há dezenas de milhares de crianças a aprender os fundamentos básicos da programação e do pensamento computacional em Portugal.

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

Premium

João César das Neves

Donos de Portugal

A recente polémica dos salários dos professores revela muito do nosso carácter político e cultural. A OCDE, no habitual "Education at a Glance", apresenta comparações de indicadores escolares, incluindo a remuneração dos docentes. O estudo é reservado, mas a sua base de dados é pública e inclui dados espantosos, que o professor Daniel Bessa resumiu no Expresso de dia 15: "Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países (a taxas de tributação que, portanto, se aproximam do dobro) para que os salários dos seus professores sejam iguais aos praticados nestes países."