15 galerias portuguesas participam na ARCO Madrid

A Feira Internacional de Arte Contemporânea realiza-se de 21 a 25 de fevereiro.

São quinze as galerias portuguesas que vão marcar presença na feira ARCO Madrid deste ano, que se realiza de 21 a 25 de fevereiro em Espanha e que, ao contrário do que sempre aconteceu, desta vez, não terá um país convidado mas antes um "conceito convidado" como explicou o diretor Carlos Urroz, numa conferência de imprensa realizada esta manhã em Lisboa.

Este número representa um aumento em relação ao ano passado em que foram 13 as galerias portuguesas na ARCO. Este ano, regista-se a ausência de Mário Sequeira mas regressa Pedro Oliveira (que esteve algum tempo afastados das feiras internacionais), há duas novas galerias presentes (Carolina Pagés e Francisco Fino) e há o desdobramento da Múrias Centeno que agora são duas galerias diferentes, de Bruno Múrias e de Nuno Centeno.

A maioria das galerias portuguesas participa no "Programa Geral". Oito são de Lisboa: 3 + 1 Arte Contemporânea, Vera Cortês, Baginski Galeria/ Projetos, Carolina Pagés, Cristina Guerra Contemporary Art, Filomena Soares, Bruno Múrias e Pedro Cera. E três do Porto: Pedro Oliveira, Nuno Centeno e Quadrado Azul.

No programa "Opening", comissariado por Stefanie Hessler e Ilaria Gianni, dedicado às novas galerias, marcam presença a Madragoa, a Pedro Alfacinha e Francisco Fino (que está pela primeira vez na feira de Madrid).

E nos "Diálogos", cuja seleção ficou a cargo de Maria de Corral, Lorena Martínez de Corral e Catalina Lozano, estará também presente a galeria Graça Brandão, de Lisboa.

Esta forte presença portuguesa reflete o bom momento do mercado e da arte nacional, explicou a galerista Vera Cortês, do comité organizador da ARCO Madrid. "Esta continua a ser a feira mais importante para os galeristas portugueses, não só do ponto de vista da visibilidade mas sobretudo do ponto de vista comercial", disse. Por isso, é natural que as principais galerias queiram estar em Madrid. Num momento em que Portugal está nas bocas do mundo pelos mais diversos e bons motivos, e em que Lisboa e Porto são dos destinos turísticos mais procurado, esta conjuntura tem obviamente reflexos também no mercado da arte, diz: "Há uma atenção extra ao mercado português, às galerias e à arte portuguesa. As galerias continuam a fazer o que sempre fizeram mas agora têm mais atenção. Os holofotes estão virados para nós e as galerias têm sabido tirar partido disso."

Um dos exemplos disso é o facto de algumas galerias internacionais terem aberto as suas portas em Lisboa - como é o caso da Maisterravalbuena (de Madrid) e a Monitor (de Roma), ambas com presença na ARCO. "Acho que é bastante positivo o facto de abrirem galerias estrangeiras em Lisboa, torna o programa da cidade mais internacional e permite fazer vários contactos", explica Vera Cortês. "Criam-se sinergias muito interessantes."

O colecionismo português será igualmente reconhecido nesta 37.ª edição da feira, com os Prémios "A", que, entre outros, distinguiram a coleção do português Armando Martins, atualmente composta por 400 obras de artistas portugueses e estrangeiros. Para 2019, este empresário prevê a abertura de um museu de arte contemporânea localizado no Palácio dos Condes da Ribeira Grande, em Lisboa.

De acordo com Carlos Urroz, este ano o certame decidiu inovar e deixar cair o país convidado, como tem acontecido tradicionalmente, e optou por escolher um tema, o do futuro, comissariado por Chus Martínez, Rosa Lleó, e Elise Lammer, e focado na ideia: "O futuro não é o que vai acontecer, mas sim o que vamos fazer". "A ideia do nacional está um pouco ultrapassada, e não está tão implementada na arte contemporânea, porque ultrapassa muito as fronteiras dos países", sustentou, ressalvando que não se trata de falta de países com uma cena artística interessante, mas sim "a necessidade de inovar", explicou o diretor da ARCO Madrid, acrescentando que se trata de um teste e que em 2019 a feira regressará com um país convidado, que não quis adiantar, mas a imprensa espanhola avança que poderá tratar-se do Peru.

Neste programa dedicado ao futuro vão participar alguns artistas portugueses, como é o caso de Hugo Canoilas, da galeria Workplace (Londres) e Pedro Neves Marques, representado pela Umberto Di Marino (Itália).

Também a arquitetura do espaço da feria será renovada este ano. No total, serão 208 as galerias de todo o mundo que vão estar na ARCO, oriundas de 29 países. 160 galerias apresentam-se no "Programa Geral" e 51 vão estar nos programas comissariados.

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