10 exposições para ver neste outono em Lisboa e no Porto

Da encomenda na Madeira à primeira exposição de Grada Kilomba em Portugal, um guia para quem quer inspirar-se pelos artistas

Duas exposições com a Catalunha como denominador comum inauguram-se nesta semana em Lisboa. No Palácio Nacional da Ajuda abre ao público a exposição de pinturas do catalão Joan Miró que pertenceram ao BPN. Na Cordoaria Nacional, no sábado, abre a exposição Turbulências, uma seleção de obras contemporâneas oriundas de distintos contextos geopolíticos que pertencem ao banco La Caixa.

Esta exposição faz parte da programação de Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura, a que também pertence a mostra Como Se Pronuncia Design em Português: Brasil Hoje, a partir de 23 de setembro, no Palácio dos Condes da Calheta, na Ajuda, morada temporária do MUDE - Museu do Design e da Moda. Uma seleção do curador independente Frederico Duarte a partir de cem projetos brasileiros no século XXI - de livros às sandálias melissas, passando por jogos que alertam contra a violência e a especulação imobiliária -, mostrando "um Brasil real na resolução de problemas concretos" e "um lado menos conhecido contrário à imagem quase icónica, tropicalista e glamorosa do Brasil", como explica a diretora do MUDE, Bárbara Coutinho.

No Porto, Jorge Pinheiro é o protagonista da exposição que o Museu de Serralves prepara para 15 de setembro. D"Après Fibonacci e as Coisas Lá Fora começou com uma conversa com outro artista, Pedro Cabrita Reis, antigo aluno de Jorge Pinheiro. O título joga com a geometria e a progressão matemática e "sobre o que acontece lá fora", explicado por Suzanne Cotter: "Jorge Pinheiro pintava nos anos 1960 no contexto do Estado Novo. Expressa qualquer coisa do tempo em que foi produzido." Outono dentro, a escolha aumenta em razão inversa às temperaturas. A 4 de outubro, coincidindo o aniversário da abertura ao público do edifício de Amanda Levete, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia apresenta o resultado da pesquisa do artista norte-americano Bill Fontana na Ponte 25 de Abril. A instalação chama-se Shadow Soundings. A 13 de outubro, duas exposições em dois pontos distintos da capital. Na Gulbenkian (6) mostra-se "como a investigação e a experimentação de Ana Hatherly revalorizaram esse denegrido período histórico e modificaram a nossa conceção do passado", a partir da curadoria de Paulo Pires do Vale em colaboração com Nuno Vassallo e Silva. No Chiado, duas pinturas do brasileiro Candido Portinari podem ser vistas no piso 1 do Museu de Arte Contemporânea a partir do dia 13. As telas que documentam a presença do trabalho do pintor em instituições portuguesas. E, com entrada pela Rua Capelo, abre ao público no dia 20 a exposição Género na Arte. Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência, de artistas contemporâneos portugueses.

Obra de Joan Miró já esteve exposta em Serralves e chega ao Palácio da Ajuda esta semana

É uma estreia: a artista Grada Kilomba, a viver e a trabalhar em Berlim, apresenta-se em nome próprio, pela primeira vez no seu país. A exposição abre portas a 26 de outubro na galeria municipal da Avenida da Índia. E a partir de 15 de novembro a grande exposição temporária do Museu Nacional de Arte Antiga assinala os 600 anos da descoberta do arquipélago da Madeira. Chama-se As Ilhas do Ouro Branco, evocação do papel da cana-de-açúcar na prosperidade do reino e a encomenda artística da época.

ALGUNS DESTAQUES

Jorge Pinheiro, Museu de Serralves

A partir da curadoria de Pedro Cabrita Reis, antigo aluno do protagonista da exposição (um dos Quatro Vintes da Escola de Belas-Artes do Porto), um olhar sobre os seus primeiros trabalhos, nos anos 1960, "dando oportunidade de mostrar a novas gerações o seu trabalho", segundo a diretora Suzanne Cotter. O desenho expositivo é do arquiteto Eduardo Souto de Moura e a abertura está marcada para 15 de setembro.

Candido Portinari, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Trabalho de Bill Fontana sobre a ponte 25 de Abril assinala o primeiro ano do MAAT

A Mão-de-Olhos-Azuis, de Candido Portinari, dá a conhecer a partir de 13 de outubro duas obras, ambas de 1942, do artista brasileiro. Chorinho, que pertence ao acervo da casa e é um de oito painéis sobre música produzidos para o auditório da Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Carnaval, Cavalo--Marinho, raramente vista, pertence ao Museu Soares dos Reis, no Porto.

Bill Fontana, MAAT

Shadow Soundings, uma instalação a partir de sons e sombras captados pelo artista norte-americano Bill Fontana na Ponte 25 de Abril inaugura-se a 4 de outubro no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, no momento em que o edifício de Amanda Levete completa um ano.

Design brasileiro, hoje, MUDE (Fora de Portas)

O Palácio Calheta, antigo Museu Agrícola do Ultramar, em Lisboa, recebe a exposição Como Se Pronuncia Design em Português: Brasil, Hoje, a partir de 50 livros e 50 projetos no século XXI, em resposta a problemas concretos do país.

Joan Miró, Palácio Nacional da Ajuda

Materialidade e Metamorfose reúne, desta vez em Lisboa e em formato completo, as 85 obras que pertenciam à coleção BPN e estão agora nas mãos do Estado português. A exposição no Museu de Serralves, no Porto, recebeu 240 mil visitantes.

Encomenda à Madeira, Museu de Arte Antiga
A próxima exposição temporária de grandes dimensões do museu das Janelas Verdes inaugura-se a 15 de novembro e põe o foco na encomenda artística na Madeira, entre os séculos XV e XVI, assinalando os 600 anos de descoberta do arquipélago. Chama-se As Ilhas de Ouro Branco, evocando a importância da cana-de-açúcar.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.