Annette Bening e as memórias de Gloria Grahame

AS ESTRELAS NÃO MORREM EM LIVERPOOL Paul McGuigan

Em tempo de sistemática banalização, para não dizer apagamento, das memórias cinéfilas, o nome da atriz americana Gloria Grahame (1923-1981) não será uma referência muito corrente...

O filme de Paul McGuigan, sobre os tempos finais da atriz vividos em Liverpool (embora viesse a falecer em Nova Iorque) poderá ser também um objeto pedagógico. E tanto mais quanto nos revela a pessoa para além da imagem de marca da estrela.

Encontramos, assim, uma atriz enquistada na nostalgia da idade de ouro de Hollywood, no fundo consciente de que não é possível repetir as apoteoses do passado. Fundamental na subtileza emocional do filme é a notável composição de Annette Bening, sem esquecer a interpretação de Jamie Bell no papel de Peter Turner, o actor cujo livro de memórias serviu de base ao filme.

Classificação: *** bom

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.