Homenagem de Barenboim abre portas e janelas do Scala

O Teatro Alla Scala, em Milão, escancarou hoje as portas e janelas, enquanto o maestro argentino Daniel Barenboim dirigia a orquestra para uma sala vazia, mas aberta à cidade, uma semana após a morte do antigo titular da Filarmónica.

O concerto, de homenagem ao maestro Claudia Abbado, falecido há uma semana, no passado dia 20, pôde assim ser seguido a partir das ruas da metrópole lombarda, no norte da Itália, numa tarde fria, notícia a Efe.

O concerto, pela Filarmónica de Milão, abriu com a 3.ª Sinfonia, de Beethoven, "Heroica", com a sala vazia, mas a praça frente ao teatro abarrotada de gente que escutou a obra em silêncio, conforme noticia a agência espanhola.

À primeira nota, a fachada do teatro foi coberto por uma penumbra, em sinal de luto pela morte do maestro italiano, na sua residência em Bolonha, aos 80 anos.

Natural de Milão, Abbado dirigiu, durante 18 anos, de 1968 a 1986, o Teatro Alla Scala.

Segundo a Efe, 8.000 pessoas assistiram ao concerto na praça onde se encontra a estátua de Leonardo da Vinci.

Com início às 18:00 locais (17:00 de Lisboa), o concerto durou cerca de 60 minutos, tendo o município cortado o trânsito no centro da cidade, em sinal de respeito a Abbado.

Giuliano Pisapia, presidente da Câmara de Milão, reafirmou hoje a decisão e alterar o nome da Escola Cívica de Música "Villa Simonetta", pelo de Claudio Abbado, por entender que "é a melhor escolha para honrar um grande milanês que ensinou todos a amar a música", afirmou.

Os trabalhadores do teatro levaram hoje à praça uma pequena oliveira, recordando as 90.000 árvores que Abbado pediu em 2009 como pagamento para voltar a dirigir a Sinfónica de Milão.

"Pedimos à Câmara para plantar na praça esta oliveira para que se torne na primeira árvore do centro histórico e, deste modo, honraríamos verdadeiramente a memória do maestro", afirmaram os representantes dos trabalhadores.

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