Guionista de Mad Max escreve o livro pós 11 de Setembro

Terry Hayes, o argumentista do filme Mad Max 2, abandonou as 130 páginas de um guião para o cinema e escreveu 650 sobre a grande ameaça terrorista futura

O mais vibrante thriller do últimos tempos chama-se Peregrino e é de autoria de Terry Hayes, desconhecido até há pouco tempo no mundo da literatura de espionagem. O que mudou radicalmente após ter chegado a N.º1 da tabela do jornal New York Times, e seduzido milhões de leitores.

O que faz de Peregrino um thriller tão lido em metade do planeta? A resposta é simples: um capítulo inicial de arrepiar; um agente secreto norte-americano desiludido com o pós 11 de Setembro; um muçulmano que quer ajustar contas com a Arábia Saudita; uma pilha de quase 700 páginas com volte-faces inesperados; e uma quase guerra biológica, com medicamentos enviados da Alemanha...

Terry Hayes aceitou falar sobre o Peregrino e revela um pouco do que é o thriller que chega esta semana a Portugal. Explica as razões porque o escreveu e quase confessa que viver a 120 quilómetros da civilização permite um grande investimento na escrita. Com uma diferença horária de dez horas, Hayes atende o telefone depois de ter estado a conversar com o realizador Mathew Vaughn, que vai adaptar o livro ao cinema: "A MGM comprou os direitos deste livro e da continuação da série. Estou a finalizar o guião, enquanto procuram uma estrela para o papel do protagonista. Como em Hollywood tudo pode acontecer, não vale a pena falar mais sobre isto enquanto não chegar a hora da estreia."

O seu objetivo com o Peregrino era assustar os leitores? "Posso confirmar que sim, porque existirá uma altura dentro de muito pouco tempo em que iremos olhar para trás e dizer que o ato terrorista que destruiu os dois edifícios do World Trade Center foi de grande violência mas nada comparado com o que iremos enfrentar", diz. Acrescenta: "Tudo aquilo que está no romance sobre a criação de armas biológicas pode não ser possível na atualidade, mas estou certo de que numa década já acontecerá. Pelo menos é o que me assegura quem trabalha nesta área. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, vamos confrontar-nos com as armas biológicas e esse será o pior cenário. É preciso não esquecer que já aconteceram ataques de gás no metro de Tóquio! Pode ser que com este livro as atenções se virem para o sítio certo."

Concorda que sem o 11 de Setembro este livro não poderia ter sido escrito? "Creio que sim, mesmo que o uso de aviões de passageiros como mísseis fosse uma ideia que já tinha surgido num livro de Tom Clancy. Quanto à espetacularidade, temos como paralelo a época em que a Inglaterra lutava contra a agitação na Irlanda do Norte e cada vez que havia um novo ataque ele superava em dimensão o anterior. Portanto, se os aviões criaram um grande impacto noticioso e na opinião, o próximo grande ataque terá de ser muito mais grandioso e o número de pessoas que morreram no 11 de Setembro estará muito abaixo de quando forem contabilizadas as vítimas de um ataque biológico. Isto para não falar da influência nas economias mundiais. Por isso, concordo, que sem ter existido o 11 de Setembro era um thriller impossível de escrever.", responde.

Numa frase, pode dizer-se que este Peregrino é sobre um homem que pode destruir o mundo e um outro capaz de o salvar. Acredita que é plausível? "Até gostaria muito que fosse assim, mas não é possível. Nem num thriller de espionagem é possível que uma única pessoa possa salvar o mundo no tempo em que vivemos. É, no entanto, mais plausível que uma só pessoa o possa fazer, como se sugere no livro. É da natureza de um contador de histórias metermo-nos dentro da cabeça de uma única personagem porque se há muitas personagens é mais difícil fazê-lo. Daí que exista um compromisso entre o meu agente secreto, que representa a comunidade de Inteligência nos Estados Unidos, e concentrarmo-nos nele, dando um cheiro de como é esse mundo da espionagem. Quanto ao terrorista da jihad, ele faz parte de um grupo e nunca se preocupa com o que é geral, apenas nos seus julgamentos e no que o obriga a executar um plano", explica.

Leia a entrevista completa na edição impressa ou no e-paper do DN

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