Governo recusa venda direta das obras de Miró

Empresário Rui Costa Reis propõe-se comprar as obras do pintor catalão por 44 milhões de euros, mas tanto o Executivo como a empresa Parvalorem insistem no leilão da Christie"s.

Quem quiser comprar as 85 obras de Joan Miró que pertenciam ao BPN pode fazê-lo, mas tem de passar pelo leilão da Christie"s, agendado para junho, diz o Governo, em resposta ao interesse, noticiado ontem pelo Diário Económico, do empresário angolano Rui Costa Reis em comprar por 44 milhões de euros a coleção do pintor catalão que está nas mãos da Parvalorem, sociedade do Estado português com a missão de recuperar os ativos do BPN.

O presidente da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite, diz ao DN, por e-mail, que a sociedade nunca foi abordada por Rui Costa Reis, mas confirma que receberam há cerca de um mês o contacto de um advogado, em representação de agentes privados, interessado em adquirir as obras de arte. "Os contactos não evoluíram porque o leilão enquanto modelo de venda não foi alterado", garante, fazendo eco das declarações do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, que ontem lembrou que os eventuais interessados em adquirir a coleção terão de ir a leilão (como, aliás, fizera Joe Berardo, que se chegou a inscrever para licitar no leilão de fevereiro, depois cancelado).

"Nunca apareceram os próprios interessados nem fizeram prova da sua capacidade financeira. Além desse facto, muitos nada tinham que ver com o mundo da arte. O leilão foi sempre a opção de venda porque é a única que garante igualdade de condições para todos os eventuais interessados", acrescenta Nogueira Leite.

Contactada ontem pelo DN, a Christie"s recusou fazer comentários. "Em fevereiro dissemos que o leilão seria em junho e que no devido momento daríamos mais detalhes. Sobre a notícia não temos comentários a fazer."

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