Fundação Saramago não vai "ter dinheiro do Estado"

A Fundação José Saramago não recebeu "nem um tostão do Estado" e assim continuará, tendo como princípio manter a sua independência, disse à Lusa a sua presidente, Pilar del Río.

"Não vamos ter dinheiro do Estado. A Fundação José Saramago não admite dinheiro público", realçou a jornalista e tradutora, que viveu com José Saramago durante mais de duas décadas.

"Temos que nos alimentar a nós mesmos, trabalhando, com todo o nosso empenho, toda a nossa energia e toda a nossa capacidade criativa", contrapõe, realçando que "a fundação buscará dinheiro como puder".

A Fundação José Saramago terá sede na Casa dos Bicos, em Lisboa, mas quando as obras de instalação começaram foram descobertos achados arqueológicos, o que tem atrasado a conclusão do processo. "Uma paralisação lógica e óbvia", considera Pilar del Río. "Há um motivo que justifica esta lentidão", acrescenta, contente a "agradável surpresa" da descoberta, que aumenta o "património arqueológico de Lisboa".

Portanto, a cerimónia pública de colocação das cinzas de José Saramago em frente ao espaço que ocupará a fundação com o seu nome - e posterior descerrar de uma placa onde se lerá "Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia (palavras retiradas de "Memorial do Convento") - não significará, simultaneamente, o início dos trabalhos da mesma fundação.

Se as obras efectivamente terminarem em Agosto, prazo apontado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o socialista António Costa, a casa poderá abrir em Novembro, estima Pilar del Río, acrescentando: "Não dá para entender se está muito ou pouco avançado [o processo]. Dizem que os trabalhos de infraestrutura já estão feitos, mas...".

Pilar del Río espera que o tempo da concessão do espaço para a fundação pela autarquia de Lisboa só comece a contar a partir do momento da sua real instalação. "Na verdade, já fizemos essa pergunta em várias ocasiões, mas não temos os estatutos à frente para o comprovar... Mas espero que seja a partir do momento em que se instale. Ninguém pensava que iria demorar quatro anos de obras", defende.

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