Fucoxima, meu amor, diz ele. Que foi feito de ti? E que será de ti?

Tibo chegou a Fucoxima após a catástrofe e nunca mais deixou de regressar. Primeiro fotografou o que a Natureza levou, agora o betão que o homem põe. E as crianças, que "inventam o futuro".

Japão, 11 de março de 2011. Um sismo de magnitude 9 na escala de Richter, seguido de um tsunami, ocorre em Fucoxima, a norte de Tóquio, desencadeando um acidente nuclear na central Fucoxima Daiichi e matando cerca de 20 mil pessoas. Oito dias depois, o fotojornalista francês Tibo Dhermy - que sempre assina apenas com o primeiro nome - chega ao local como repórter do Figaro magazine. Encontramo-lo agora em Lisboa no hotel Sofitel Lisbon Liberdade, onde está patente a sua exposição - Terres Perdues - sobre o "amor" que começou nesse momento - ou um pouco antes - e permanece. Um diário ou um retrato diacrónico da paisagem e rostos que a habitam.

"O que mais me chocou [ao chegar] foi a paisagem devastada, havia muitos sítios onde o mar tinha entrado e levado tudo. Uma paisagem dramática, mas que ao mesmo tempo era muito bonita, com muita serenidade, muita calma, não havia vida. Tive a impressão de um mundo depois da humanidade. Não havia ninguém. A segunda [coisa que chocou] foi ver os japoneses: eles têm uma força de resiliência muito impressionante. Eram capazes de lutar contra a situação e dizerem a si mesmos: "vai ser melhor mais tarde." Eles não estavam histéricos, estavam abatidos, mas sabiam que podiam ultrapassar o drama."

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