Festival de Música de Sines ou a volta ao mundo em 47 concertos

Começa hoje em Porto Covo a 19.ª edição do Festival Músicas do Mundo, com três dias de entrada livre que se pretendem de festa

Já lá vão 18 edições, mas há muito que o Músicas do Mundo, em Sines, atingiu a maioridade enquanto evento de referência da denominada world music. Mesmo a nível internacional, como o atestam o Prémio de Melhor Alinhamento Artístico nos Iberian Festival Awards ou a inclusão na lista dos melhores 25 melhores festivais de world music do mundo, pela revista britânica Songlines.

"Não é um festival como os outros, tem um histórico muito rico, construído ao longo de 18 edições", sublinha Carlos Seixas, o diretor artístico do Músicas do Mundo desde a primeira hora, com o "objetivo de dar voz às periferias musicais". Que apenas o são, realça, "devido às contingências do mercado, porque há muito mais mundo para além das playlists e público interessado em conhecê-lo". Como se prova neste "festival de nicho" - porque "a world music não é um conceito, mas sim um rótulo no qual cabem todos os géneros musicais" - que começou no Castelo de Sines, em 1999, apenas reduzido a três dias e hoje se prolonga por mais de uma semana, entre Porto Covo e, a partir de segunda-feira, em diversos locais em Sines.

"Ao terceiro ano começou a crescer e a tornar-se conhecido, devido à comunhão que existe entre a equipa de produção, o público e os artistas, pouco comum noutros festivais", recorda Carlos Seixas. De realçar que, das 47 atuações incluídas no cartaz deste ano, vinte são estreias. Um facto que Carlos Seixas explica com a própria vontade dos artistas: "Muitos dos que ainda não vieram cá, querem vir e isso facilita-nos muito o trabalho na hora de programar. Há aqui uma vontade de descoberta, com respeito pela diferença, que transforma este festival numa verdadeira volta ao mundo em nove dias, através da música."

Uma viagem que tem início já hoje, às 19.00, ao som dos portugueses Segue-me à Capela, os primeiros a subir ao palco no Largo Marquês de Pombal, em Porto Covo, onde até domingo terão lugar os primeiros três dias de festival, de entrada livre, com nomes que nada devem aos principais cabeças de cartaz. "Não temos essa lógica de reservar os maiores nomes apenas para o palco principal do Castelo", salienta o diretor do festival. É o caso da argentina Juana Molina, que também atua hoje à noite em Porto Covo, apresentada por Carlos Seixas como "uma grande estrela da música alternativa da América Latina"; Ou dos malianos Bamba Wassoulou Groove, com concerto marcado para amanhã à noite, também em Porto Covo, "que vêm apresentar um dos grandes espetáculos desta edição, especialmente para quem gosta de blues e de rock psicadélico africano"; Ou ainda os Unthanks, que atuam no domingo à noite e são "considerados uma das melhores bandas folk da Grã-Bretanha".

Na segunda-feira o festival muda-se em definitivo para Sines, primeiro para o Centro de Artes e a partir de quarta para o tradicional palco do Castelo, onde, até ao domingo seguinte, dia 30 de julho, irão passar alguns dos nomes mais fortes desta edição, com destaque para o britânico Billy Bragg, que atua na última noite.

Como é habitual, haverá também diversos concertos de entrada livre, que prolongam a animação durante a tarde no Largo do Poeta Bocage e noite fora na Avenida Vasco da Gama, junto ao mar. Como diz Carlos Seixas, "tem tudo para ser uma grande festa. Venham com os amigos e façam mais amigos".

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