"Eu vi." Joana Villaverde viu a Palestina e a gazela que corre

A Palestina numa cavalariça de Avis. Gazelas impedidas de correr, ao embate num muro de cimento que rodeia os territórios palestinianos ocupados. E gazelas que saíram das mãos de Joana Villaverde

"Eu tenho alguma dificuldade em perceber essa coisa do medo. Tenho alguma dificuldade em perceber a diferença entre o medo e o estado de alerta. Eu sei que não dormi. E que ninguém dorme na Palestina. E não é só quando há um ataque. Eu aprendi lá - mesmo, de verdade - que a palavra dormir não tem de todo o mesmo significado que para nós. Dormir é encostar ali um bocado. Não é ir dormir. Não é descansar. Medo, não sei, devo ter tido, obviamente que tive medo, não sei se é medo, não sei como é que se chama, é estar o tempo todo com atenção e cada vez que ouvia um estrondo ligava no Facebook para um amigo que estava em Jerusalém ou não sei quê: "Foi aí?" O ter que saber onde é que foi o estrondo. A isso eu estava com atenção. Sempre."

Avis, mas Palestina. Final de março, mas verão. Ao chegarmos à rua das Portas de Évora, naquela vila alentejana, está Joana Villaverde, ao longe, a acenar. Leva-nos à cavalariça onde monta a exposição Animal's Nightmare, que inaugurou a 4 de abril. E é na Palestina que estamos, porque é lá que ela tem os olhos. Porque viu. Como Goya escreveu na gravura 44 da série Os Desastres da Guerra: "Yo lo vi".

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