Estar grávida num festival já não é o que era

Se à primeira vista pode parecer quase impensável ver grávidas em festivais de música, onde a confusão, o calor, a multidão e as filas para qualquer serviço são capazes de demover a melhor das intenções, a perspetiva a partir do NOS Alive é outra. Massagens, um terraço reservado e responsáveis para trazerem comida e bebida são apanágios das grávidas no Passeio Marítimo de Algés.

O espaço que lhes é reservado chama-se "My Mom Rocks", o stand N Seguros, do grupo Montepio. A responsável de comunicação, Sílvia Ramiro, explicou ao DN de que serviços aqui podem usufruir as grávidas: "Temos uma enfermeira, que está cá até ao palco NOS fechar e as mães aproveitam para conversar com ela e tirar dúvidas. Lá em cima, o terraço de 36 lugares funciona sob reserva. Os Artic Monkeys [quinta-feira, primeiro dia], por exemplo, fizeram esgotar os lugares. Os outros concertos estiveram sempre muito compostos, quase cheios. Há massagista, terapeutas para ensinarem a dar banho ao bebé, a pôr o lenço, mudar a fralda...Há um encarregado para ir buscar comida e bebida para elas não terem que estar nem filas e não terem que ficar sozinhas porque o acompanhante foi buscar.Têm água, chá e mantas para a noite. A parceria com Volkswagen transporta-as desde a fundação Champallimaud (Av. Brasília) até ao recinto. Dentro do recinto, podem ser transportadas por carrinhos de golfe."

Catarina Carvalho e André Paiva têm 27 e 30 anos, respetivamente. Ela é gestora, ele engenheiro eletrotécnico. Estão à espera do primeiro filho, o Vicente, já com 30 semanas. Catarina conta como, quando ficou grávida, pesquisou para saber se haveria condições para vir ao festival e manter a já tradição dos dois, uma vez que vêm ao Alive desde a primeira edição, em 2007.

André brinca e diz: "Eu vinha na mesma." Queria ver os Artic Monkeys: "Já os vi cinco vezes. Não foi a melhor, a set list não foi a melhor." Catarina, por sua vez, diz que André devia aproveitar as lições das terapeutas "correndo o risco de afogar o boneco."

Estão de tal maneira satisfeitos com o espaço que o futuro pai diz em tom jocoso: "Tenciono fazer um filho para o próximo Alive, para usufruir dos serviços."

A Marta Pereira e o Bruno Cavaco estão à espera do segundo filho, que já conta 26 semanas. Ela tem 37 anos e é analista de dados. Ele, 38 anos, funcionário público. Estão à espera de uma menina, ainda sem nome pois, como justifica Marta: "A variedade [de nomes] para meninas é muito maior"

"Quando comprei o bilhete ainda não estava grávida. Soube depois pela irmã de uma amiga minha que já cá tinha estado", diz a futura mãe, que aproveitou os serviços para cumprir um desejo durante o concerto de Artic Monkeys: "Apeteceu-me um crepe com chocolate e eles foram buscar. nem sou muito de ter desejos, mas apetecia-me alguma coisa doce."

Sandra e Ricardo Lemos, ela é enfermeira e tem 26 anos, ele é osteopata, 27 anos. Estão à espera do primeiro filho, que será a Alice, já com 23 semanas. Se não existisse o "My Mom Rocks"? "Vinha na mesma", diz Sandra. O melhor destes serviços? "A casa-de-banho e as ofertas."

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