Nicholas Sparks: "É como se inventasse a roda em cada romance"

Em entrevista ao DN, diz que só poderia ser escritor e que dá sempre o melhor de si

Quando se pergunta a Nicholas Sparks o porquê de nas aparições públicas usar sempre camisas que cobrem as tatuagens que tem nos seus braços, o escritor não dá resposta. O mesmo acontece se questionarmos a coincidência da inclusão do tema dos imigrantes mexicanos no seu mais recente livro com o debate aceso que a questão está a provocar na campanha presidencial norte-americana em curso.

Na entrevista, Sparks prefere falar de si, dos seus livros e da grande paixão pela escrita. Por três vezes faz questão de se definir como uma pessoa que só poderia ter esta profissão. E não terá sido por acaso que aos 28 anos escreveu em seis meses uma das suas histórias mais famosas, O Diário da Nossa Paixão (The Notebook). Que ao ser publicada em 1996, seguido dois anos depois pelo mega sucesso Palavras Que Nunca Te Direi (Message in a Bottle), que seria o primeiro romance de muitos adaptados ao cinema, nunca mais se retirou dos primeiros lugares das tabelas de vendas de livros.

Mesmo em Portugal, o autor não passa despercebido, tanto que na semana passada atingiu o primeiro lugar nas tabelas de vendas de livros, depois de nas últimas semanas o seu mais recente romance, No Teu Olhar, ter estado sempre nas três primeiras posições. Um sucesso com vários anos.

Diga-se que Nicholas Sparks já não é apenas um escritor de best-sellers em todo o mundo, visto que a adaptação dos seus livros tornou-se uma constante e uma atividade em que está envolvido como produtor. Em fevereiro lançará o décimo primeiro filme baseado nos seus livros e, desde 2012, é dono de um estúdio responsável pelas adaptações. Além de uma outra empresa que faz o mesmo para a televisão e também projetos na área dos espetáculos de teatro e musicais.

Também não lhe faltam iniciativas no âmbito da solidariedade; da concessão de bolsas para estudantes, entre os quais os da Universidade de Notre Dame, onde foi estudante e ainda permanece detentor de um recorde de atletismo; bem como de uma fundação com o seu nome para financiar projetos educativos em todo o mundo.

Está a realizar uma grande digressão para promover o novo romance: No Teu Olhar. É mais uma viagem promocional ou esta é especial?

Eu gosto muito dos meus leitores; sinto-me humilde perante eles; e sinto mais gratidão por eles do que alguma vez se possa imaginar em qualquer lugar do mundo. Essa é a primeira razão para continuar a digressão, o querer agradecer-lhes o apoio e a lealdade durante tantos anos. Que me deixaram muitas memórias, pois até assisti a pedidos de casamento durante as sessões de lançamento, ou ter à minha frente quatro gerações da mesma família a pedir autógrafos para os seus livros, bem como pessoas que sentem necessidade de partilhar alguma coisa comigo que tem sentido para as suas vidas.

Todos os seus romances têm sido best-sellers do jornal The New York Times. É fundamental para si chegar ao topo das tabelas?

Eu dou o melhor de mim para escrever de uma forma que interesse aos leitores. Sempre de uma forma desafiadora e numa busca por histórias originais, aquelas que leitores de todas as idades possam gostar de ler. Sei que nenhuma das minhas personagens é perfeita. Posso dizer mesmo que elas serão todas imperfeitas, facto que acrescenta uma profunda honestidade à sua composição, porque a maioria está simplesmente a fazer o melhor que lhe é possível para vencer na vida. Sendo sincero, o que eu pretendo e espero conseguir é que os meus leitores gostem muito das personagens.

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