É "natural" que o sector se ressinta em tempos de crise

A actriz Eunice Muñoz afirmou hoje que é "natural" que o Teatro se ressinta numa situação de crise, por não ser um artigo de primeira necessidade, mas já houve épocas "muito piores" e a arte de palco sobreviveu.

"Não são muito felizes mas tenhamos esperança. Eu sou uma mulher de esperança, não sou derrotista", afirmou hoje Eunice Muñoz aos jornalistas, em Lisboa, momentos depois de ser condecorada pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem do Infante, quando questionada sobre o momento que o teatro português atravessa, com o anúncio de cortes de apoios da Direcção-Geral das Artes e um eventual aumento do IVA dos bilhetes.

A actriz, que comemora hoje 70 anos de carreira, lembrou que "já houve épocas muito piores para o teatro, mas conseguiu-se sobreviver e é o que vai acontecer".

"É um momento em que todos devemos estar unidos e ter só um pensamento: tentar dar o melhor de nós próprios naquilo que fazemos", afirmou, salientando que, em Portugal, há "bom teatro, grande actores, grandes encenadores, um teatro tão bom como se faz lá fora".

Eunice Muñoz defende que é preciso começar a dizê-lo "dez vezes por dia", para que as pessoas se convençam "de que é verdade, porque é verdade".

"Não vamos ser derrotistas, vamos ter esperança", disse.

Para a actriz, "é muito natural que o teatro se ressinta" na situação que o país vive, já que "não é um artigo de primeira necessidade".

"É natural porque os meios escasseiam e tem que se cuidar de outras coisas mais prementes do que ir a um espectáculo, mas mesmo assim temos a grande alegria de chegar ao D.Maria II e ver o teatro cheio", sustentou.

Eunice Muñoz sobe hoje ao palco do Auditório Municipal com o seu nome, em Oeiras, para estrear "O cerco a Leninegrado", exactamente 70 anos depois de se ter estreado, como actriz, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

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