E La La Land ficou (ainda) mais próximo dos Óscares

Damien Chazelle foi premiado no sábado pelos realizadores da Directors Guild of America: um forte indicador para o Óscar de Melhor Realizador. A América de Donald Trump apareceu nos discursos da noite

La La Land aproximou-se neste sábado ainda mais de vencer um Óscar, depois de Damien Chazelle receber o prémio de melhor realizador pelas mãos dos seus pares da Directors Guild of America. Chazelle, de 32 anos, viu o seu filme musical nomeado para 14 Óscares, um recorde apenas igualado por All About Eve (1951), de Joseph L. Mankiewicz, e Titanic (1997), de James Cameron. Ele que pode tornar-se na cerimónia do próximo dia 26 o mais novo galardoado com o prémio para Melhor Realizador.

O prémio da Directors Guild of America (DGA) é, habitualmente, um forte indicador do vencedor escolhido Academia americana, visto que apenas sete realizadores receberam o prémio do sindicato sem que tivessem logo depois recebido o Óscar, entre eles Francis Ford Coppola, com The Godfather (O Padrinho, 1972), e Rob Marshall com Chicago (2002).

Chazelle, que em 2014 realizou Whiplash, deixou agora para trás, na 69.ª edição dos prémios, Barry Jenkins, realizador de Moonlight, Kenneth Lonergan, de Manchester by the Sea, Garth Davis de Lion - A longa viagem para casa, e Denis Villeneuve, de Arrival - O Primeiro Encontro. Todos eles, à exceção de Garth Davis, que no sábado venceu o prémio realizador estreante, estão nomeados para o Óscar.

Ryan Gosling e Emma Stone, protagonistas de La La Land, participaram ambos na cerimónia. O ator falaria da "grande visão e criatividade desenfreada" do cineasta que, na noite em que se tornou no mais jovem realizador a receber o prémio, disse: "Eu quis celebrar o ato de sonhar e o que a arte significa. A arte liga as pessoas e transcende fronteiras. Eu quero ser parte desse diálogo transnacional de filmes."

Ridley Scott receberia ainda de Christopher Nolan, Billy Crudup e Michael Fassbender o Prémio de Carreira. Fassbender, que foi dirigido por Scott em Prometheus (2012) ou The Counselor (O Conselheiro, 2013), descreveria o realizador como "direto, generoso, leal, competitivo, e um pouco solitário, que prefere a companhia de cães à da maioria das pessoas". O "solitário" foi dos poucos que não quiseram tornar a cerimónia política, escusando-se a comentar a nova América de Donald Trump.

Ao contrário de Scott, Chazelle falaria sobre a ordem executiva de Trump entretanto suspensa pelo juiz federal James Robart que, assinada a 27 de janeiro, impede cidadãos de sete países de maioria muçulmana (Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen) de entrar no país. O realizador de La La Land lembrou o iraniano Asghar Farhadi, nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro com O Vendedor, que já disse que não estará presente na cerimónia devido à medida do atual Presidente dos Estados Unidos.

Também Alejandro Iñárritu, o realizador mexicano que, nos últimos dois anos foi consagrado como Melhor Realizador nos Óscares e nos prémios da DGA, com The Revenant (O Renascido, 2015) e Birdman (2014), disse que a atual situação política é um "mau remake de uma das piores histórias do século passado", acrescentando que "a única forma de vencermos é contarmos boas, complexas e verdadeiras histórias humanas."

Garth Davis, que venceu o prémio para estreantes com Lion - A longa viagem para casa, sobre um rapaz que aos 25 anos regressa à Índia para encontrar a família que perdeu, diria que "muitos refugiados disseram que este filme lhes deu coragem para encontrar a sua família".

A estas vozes juntar-se-ia ainda a de Paris Barclay, diretor da DGA, que lembraria que o sindicato foi criada por imigrantes, e que Billy Wilder, nascido na Polónia, foi um refugiado. "A DGA será sempre uma casa para todos os realizadores", remataria.

Entre os vencedores da cerimónia de sábado contam-se ainda Miguel Sapochnik pela série Game of Thrones (A Guerra dos Tronos) e Ezra Edelman, que venceu o prémio de documentário por O.J.: Made in America.

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