Duarte Coimbra chega de colchão voador ao festival

Chama-se Duarte Coimbra e aos 21 anos leva a Cannes um filme que encantou os espectadores que o viram no IndieLisboa, a curta Amor, Avenidas Novas.

O colchão protagonista de Amor, Avenidas Novas, curta-metragem de Duarte Coimbra, não voa no sentido literal do termo mas é como se fosse realmente um colchão voador. Depois de ter sido a curta sensação do IndieLisboa, agora voa para Cannes, onde faz parte da secção das curtas da Semana da Crítica a exibir dia 15. Uma história da Lisboa de hoje sobre um rapaz que empresta o seu colchão ao amigo. O filme é a viagem dos dois a transportar o colchão pela Av. Almirante Reis. Pelo caminho, o rapaz esbarra numa rodagem de cinema e apaixona-se. Daquelas paixões fulminantes.

Amor, Avenidas Novas é o filme de fim de curso de Duarte da Escola de Cinema. Não é comum um filme de escola ser tão bom, não é comum um filme de escola estar no maior festival do mundo, mesmo se considerarmos que, este ano, um colega da sua turma, David Pinheiro Vicente, tenha conseguido o mesmo feito na Berlinale com Onde o Verão Vai (episódios da juventude). Confirma-se: está a aparecer uma novíssima geração de cineastas com uma maturidade transbordante. Duarte tem 21 anos e diz-nos que este seu filme não se inspirou em La La Land (filme que adora) mas sim em Demy e no seu Os Chapéus-de--Chuva de Cherburgo, ainda que sem querer soe mais a As Canções de Paris, de Honoré.

"Quando me disseram que o filme estava selecionado para Cannes, nem quis acreditar. Foi estranho, é uma notícia que não acontece... Sabia que o filme não tinha sido reprovado logo na primeira seleção e isso, para mim, já era ótimo. Também já estava superfeliz com as seleções nas duas competições de curtas no Indie. Enfim, ia passar em Lisboa e a minha avó poderia ir vê-lo", começa por contar. Sobre a avó, garante que a senhora aprovou: "Diz que fui acertado no gosto dela."

E estar na Croisette, para este jovem da Pontinha, tem muito de surreal mas, garante, vai aproveitar ao máximo. Para já, terá o gangue todo do filme ao seu lado para celebrar o momento. Depois, se tudo correr bem, quer ver muitos filmes e: "Se possível, tirar uma selfie com o Paul Dano, que estará na Semaine com o Wildlife." Mas também lembra que o filme só foi possível por ter tido a ajuda dos amigos: "A amizade é a coisa mais importante em Amor, Avenidas Novas. Creio que é também um filme sobre isso e foi rodado num ambiente de amor entre amigos. Sou muito amigo do protagonista, o Manuel Lourenço." Manuel, mais conhecido por ser o músico que assina como Primeira-Da-ma, uma das grandes esperanças da pop nacional.

Amor, Avenidas Novas, com o seu ar de candura e pureza romântica musical (há uma canção de Lena D"Água que vai provocar erupções nos corações de muita gente...), arrisca-se a fazer figura de gente grande em Cannes. Apetece apostar que a Portugal Film, a agência do IndieLisboa que o agencia, vai ter muitos pedidos para outros festivais. Isto num ano em que há também João Salaviza no Un Certain Regard, Teresa Villaverde, João Cabeleira e Leonor Teles num programa especial do ACID e ainda Gabriel Abrantes com o seu filme provavelmente inspirado em CR7 na Semana da Crítica.

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