Dois bailarinos portugueses prestam provas com os melhores do mundo

Margarida Canto e Castro Trigueiros, de 18 anos, e Alexandre Joaquim, de 15 anos, são os dois únicos candidatos portugueses selecionados para a edição de 2016 do Prix de Lausanne

Os dois bailarinos portugueses, selecionados para a fase final do Prix de Lausanne, iniciaram hoje a prestação de provas, num dos mais prestigiados concursos de dança clássica a nível mundial, a decorrer até domingo, na cidade suíça.

Margarida Canto e Castro Trigueiros, de 18 anos, e Alexandre Joaquim, de 15 anos, são os dois únicos candidatos portugueses selecionados para a edição de 2016 deste concurso.

Para o bailarino Alexandre Joaquim, natural de Faro, a competição é uma oportunidade para entrar no mundo profissional da dança clássica.

"O Prix de Lausanne é vantajoso, porque permite mostrar a nossa capacidade a outras pessoas e isso [pode tornar] mais fácil a nossa entrada na carreira profissional", disse o aluno da Escola da Companhia de Dança do Algarve.

Há quatro anos, na Tanz Akademie (Academia de Dança), em Zurique, Margarida Trigueiro aborda o concurso como uma uma forma de assimilar novas técnicas e de se habituar ao mundo profissional.

"O mais importante de tudo é realmente o que aprendemos aqui, como trabalhar com novas técnicas e também num ambiente profissional", disse à Lusa a jovem bailarina.

Ao longo de uma semana, o concurso reúne os melhores alunos de dança a nível mundial, em fase final de formação. "Estou surpreendido com a quantidade de bailarinos da minha idade com este nível. Dá gosto ver", comentou Alexandre Joaquim.

A cidade olímpica torna-se na capital da dança para esta 44.ª edição do Prix de Lausanne, que convocou 71 jovens, de 19 países, entre os quais 43 bailarinas e 28 bailarinos.

A Escola de Dança do Conservatório Nacional (EDCN), em Lisboa, está também presente no Prix deLausanne, com a bailarina de nacionalidade japonesa Ruika Yokozama.

Vão ainda concorrer nesta prova, os bailarinos brasileiros João de Mattos Menegussi (Academia de Dança de Zurique), Marcos Vinicius de Souza Silva (Escole Superieure de Danse de Cannes Rosella Hightower, França), Davi Ramos (Lyceu Escola de Dança, Rio de Janeiro), Carolyne de Freitas Galvão (Instituto Basileu França, Goianas, Brasil) e Eric Figueiredo Amâncio (Escola de Dança Fundação Porto Real, em Nova Colónia Porto Real, no Estado do Rio de Janeiro).

Criado em 1973, o Prix de Lausanne, gerido pela Fondation en Faveur de l'Art Chorégraphique, é aberto a jovens bailarinos dos 15 aos 18 anos, e tornou-se conhecido por ser um dos mais exigentes concursos de dança a nível mundial, para estudantes em fase final de formação.

Ao contrário de outros concursos, no Prix deLausanne, os candidatos são avaliados diariamente, em sessões com professores, por um painel de nove especialistas de dança clássica e contemporânea.

Esta característica, que valeu o reconhecimento da prova, faz com que a semana se perspetive de extrema exigência, física e psicologicamente, mas também enriquecedora para os futuros protagonistas da dança.

Para a Margarida, o modelo do Prix Lausanne permite aos bailarinos mostrar todas as suas qualidades, assim como a sua personalidade. "Acho bom porque um bailarino não pode ter só uma qualidade. Com isto [o júri] não avalia só a parte artística e a musicalidade, mas também a concentração e a própria personalidade [do bailarino]", disse à Lusa a jovem bailarina.

Este ano, o brasileiro Miguel Gomes, primeiro bailarino do American Ballet Theater, premiado no Prix deLausanne de 1996, foi convidado para avaliar os candidatos, ao longo da semana de competição.

No ano passado, cinco candidatos portugueses foram selecionados, entre os quais o bailarino Miguel Pinheiro, da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa, foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea.

Ao longo de 40 anos, a maioria dos selecionados do "Prix de Lausanne" destacou-se em companhias como a Royal Ballet, o Ballet da Ópera de Paris e da Opera de Zurique, o Nederlands Dans Theater, o New York City Ballet e o Ballet de São Francisco, entre outras companhias.

Todos os anos, este concurso oferece seis seis e oito bolsas de formação, segundo a organização.

Os 20 finalistas desta edição vão ser conhecidos na sexta-feira.

A final realiza-se no sábado, após a qual serão anunciados os vencedores das bolsas a atribuir este ano.

No domingo, os bailarinos ainda têm a oportunidade de participar num fórum especial durante o qual encontram-se com diretores de escolas e companhias de dança.

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