Discos de vinil renderam mais do que os downloads

Venda da música em vinil gerou 2,8 milhões de euros em apenas uma semana no Reino Unido

Pela primeira vez, numa semana foi gasto, no Reino Unido, mais dinheiro na compra de álbuns de vinil do que em ficheiros de música digital, noticia esta terça-feira a BBC.

De acordo com a Associação de Retalhistas do Entretenimento da Grã-Bretanha, as vendas de música em vinil renderam à indústria discográfica o valor recorde de cerca de 2,8 milhões de euros nos últimos sete dias, enquanto os downloads digitais ficaram perto mas não chegaram a atingir os 2,5 milhões de euros.

Estes dados são ainda mais significativos quando comparados com os registados no período homólogo do ano passado. Nesta mesma semana de 2015, os ingleses compraram 5,2 milhões de euros em álbuns ou ficheiros de música digital e apenas pouco mais de 1,4 milhões de euros em discos de vinil.

Em causa continua a estar a longa discussão entre audiófilos acerca da qualidade (ou falta dela) da música registada em suportes digitais muito compactados, cujo consumo se tornou generalizado e dominante de há uns anos para cá. A continuar esta tendência de consumo, o mercado poderá finalmente estar a dar a vitória aos audiófilos que há muito defendem que a música digital nada acrescentou, em termos de qualidade, ao velhinho formato do LP de vinil.

A Associação de Retalhistas do Entretenimento (ERA, na sigla inglesa), do Reino Unido, já sugeriu que a escalada das vendas do vinil podem dever-se à popularidade de que estes álbuns gozam enquanto presente de Natal. Uma preferência que levou algumas cadeias de lojas, incluindo hipermercados como o Sainsbury's e o Tesco, a terem discos de vinil em stock e a incluí-los na sua oferta. Mas isto não explica o porquê desta escalada só neste Natal.

"Esta é mais uma prova da capacidade que os fãs de música têm de nos surpreender a todos", disse à BBC Kim Bayley, chefe da ERA. "Ainda não há muito tempo, o download de música digital estava votado a ser o futuro. Poucos previam que um formato de disco inventado em 1948 e baseado na impressão de sulcos em pedaços de plástico estaria agora, em 2016, a ultrapassar as vendas do digital".

Apesar das vendas animadoras para os defensores do vinil, é importante sublinhar que o preço médio dos chamados LP é bem mais elevado do que os dos álbuns digitais pelo que, mesmo com receitas mais baixas, ainda são estes últimos os mais vendidos. Segundo a ERA, os montantes realizados na semana passada no Reino Unido traduzem-se pela venda de 120 mil discos de vinil contra 295 mil álbuns digitais.

Além disso, a descida no número de downloads está também associada à escolha cada vez maior do público por serviços de streaming de música, como o Spotify, o Apple Music ou o Tidal, só para nomear alguns.

Ainda assim, o "renascimento do vinil", como alguns já lhe chamam, tem sido um dos fenómenos mais surpreendentes da era digital em que vivemos.

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