Diogo Infante vai ser Cyrano de Bergerac no Teatro D. Maria II

A peça de Edmond Rostand, que tem encenação de João Mota e foi traduzida por Nuno Júdice, estreia na quinta-feira.

O ator Diogo Infante protagoniza a peça "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand, numa versão cénica e encenação de João Mota, que se estreia na próxima quinta-feira, no Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa.

Esta é a primeira peça que sobe à cena na sala do Rossio desde a entrada oficial, no dia 2, de Tiago Rodrigues como diretor artístico do TNDM, sucedendo a João Mota.

O poeta Nuno Júdice, que traduziu o original de Rostand, datado de 1897, alerta que "tudo parece uma comédia, desde o início, mas em breve a comédia se transforma em tragédia, embora nunca a dimensão do cómico se perca".

Júdice destaca a complexidade da personagem Cyrano de Bergerac, que define como "herói e anti-herói" e talvez "o mais falhado dos grandes heróis, mais ainda do que Dom Quixote que talvez seja aquele de quem mais se aproxima, na grandeza e no ridículo".

Segundo o autor português, a personagem desenhada por Rostand "faz-nos viver essa dupla dimensão: rimos dele mas receamo-lo; troçamos do seu nariz, mas ele impõe-nos respeito; somos levados a desejar que o amor por interposta pessoa se realize, mas sentimos algum alívio quando o jovem amado morre, deixando Roxana livre para que ele revele o seu segredo; e finalmente assistimos ao esforço patético em manter uma ficção que o faz sofrer até à morte, quando a revelação final se tornou inútil".

A ação cénica desenrola-se na França do século XVII, em que Cyrano, um valente soldado, poeta, astrónomo, matemático, físico e espadachim invulgar, "sofre por amar intensamente sua prima, Roxana, jovem, bela, emotiva, que tem como ideal de homem a beleza e o espírito", escreve em nota o TNDM.

Cyrano "possui qualidades incomuns, porém encobertas pelo aspeto físico, onde o nariz avantajado é motivo de frustração".

Roxana apaixona-se por Cristiano, um jovem tímido, e "é então que Cyrano o ajuda, escrevendo-lhe longas e belas cartas de amor que vão tornar ainda maior a paixão de Roxana por Cristiano".

Cristina Marinho, professora na Universidade do Porto, num texto que acompanha a apresentação da peça, alerta que "a incansável insistência humana na distinção entre a invenção romântica e o libertino do século XVII não poderá cindir, contudo, a sua unidade e confundir o seu sentido".

Para Marinho trata-se de um "drama épico" em que abundam as "qualidades genuinamente francesas, a imaginação mais toldada na eloquência do que perdida no devaneio, a inclinação pela grandeza na acção, a sensibilidade que se pensa, fantasia e espírito na alegria que a subtileza rege na 'finesse' alheia à obscuridade".

Diogo Infante, que em 2011 foi "Salieri", em "Amadeus", de Peter Shaffer, neste palco, encarna a personagem "Cyrano Bergerac", e encabeça um elenco de 22 atores, entre os quais Sara Carinhas, no papel de Roxane, a bem amada de Cyrano, Virgílio Castelo, como Conde de Guiche, e Alberto Villar, que se desdobra no "burguês" e em "Brissaille".

Alberto Villar regressa ao palco do Nacional 16 anos depois de ter sido o "supremo sacerdote" em "A real caçada ao sol", de Shaffer, encenada por Carlos Avilez, em 1999. O ator, que já exerceu, entre outras, as funções de diretor de cena do TNDM, foi homenageado no ano passado com o descerramento de uma placa neste teatro e é um dos convidados do ciclo "Conversas com rosto", no salão nobre do TNDM, no dia 10 de fevereiro, no âmbito do projeto Teia.

Além de Infante, Carinhas, Castelo e Villar, fazem parte do elenco João Jesus, João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta, Paula Mora, Bernardo Chatillon, Celestino Silva, Frederico Coutinho, Joana Cotrim, Jorge Albuquerque, Lita Pedreira, Luis Geraldo, Marco Paiva, Nídia Roque, Rita Figueiredo, Simon Frankel, Bernardo Souto e José Sotero.

"Cyrano de Bergerac" está em cena no TNDM até 01 de março. A cenografia é de José Manuel Castanheira, os figurinos são assinados por Storytailors, o desenho de luz é de P. Graça e a música, de Pedro Carneiro.

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