Adeus Museu da Eletricidade, olá MAAT. Agora pago

Quatro novas propostas antecipam a programação do novo museu da Fundação EDP, em Belém. Abrem amanhã ao público.

Do novo edifício do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) só se vê ainda a distintiva pala , a sobressair dos tapumes altos. Também há muito pó na rua enquanto se deita abaixo o muro e se deixa vista desafogada para a Central Tejo, e, lá dentro, se ultimam os preparativos para a inauguração de quatro novas exposições já com programação no espírito do novo museu, de olhos postos na arte contemporâneo. E com um bilhete de 5 euros.

Este bilhete, para maiores de 18, será cobrado até março de 2017, altura em que a fundação prevê que o museu esteja a funcionar em pleno. O preço do futuro bilhete está para ser aprovado mas deverá ficar abaixo da média dos museus da mesma dimensão do MAAT, segundo o diretor, Pedro Gadanho, que está hoje entre os 12 e os 20 euros. "Deverá ser até menos de 10 euros", afirmou aos jornalistas, ontem, na visita de imprensa pela renovada Central Tejo. Está prevista a possibilidade de adquirir bilhetes apenas para uma parte das exposições.

A grande aposta é, segundo o diretor-geral da Fundação EDP, Miguel Coutinho, e Pedro Gadanho, o programa de membership que "tornará o museu tendencialmente gratuito", referiram ambos. Custa 20 euros, dá acesso por um ano para duas pessoas. A medida contorna a norma europeia que impede a cobrança de bilhetes com valor distintos para nacionais e estrangeiros.

O museu esteve fechado no último mês para renovar o percurso museológico e preparar as novas salas de exposições e renovar o percurso expositivo dedicado à história da eletricidade, dos primeiros tempos da Central Tejo, a fábrica que começou a funcionar em 1918, às energias renováveis de hoje. "Quisemos tornar o percurso mais claro", afirma Pedro Gadanho, referindo que o museu recebeu mais de 100 mil crianças em 2015.

Das exposições que inaugura m hoje, às 19.00, e abrem ao público amanhã, a mais chamativa, a ocupar 630 metros quadrados, é Lightopia, uma parceria com o Vitra Museum.

Caixas de madeiras com o nome do museu estavam ainda por arrumar, ontem, durante a visita de imprensa pelas exposições. Lá dentro algumas das mais emblemáticas peças de design de luz do século XX, após a aquisição, há cerca de 10 anos, de cerca de mil peças. É a partir desse conjunto que nasce Lightopia, concebida em 2013 e em itinerância pela Europa e a caminho do México.

Aqui mostra-se o "impacto da luz elétrica na nossa sociedade" , resume a curadora, lembrando que o debate é longo e vasto. "A lâmpada tradicional foi banida e o led pode ser envolvida em janelas , tecidos e etc. Como desenhar luz é um desafio", observa Kluger ao DN, na primeira sala, chamando a atenção para o mapa da iluminação do mundo e explicando que quanto as zonas mais pobres são as que têm menos luz.

Olhar sobre a coleção

Com o MAAT abre-se espaço para olhar para a acervo de arte contemporânea (a partir dos anos 60) da Fundação EDP, ao qual se juntou recentemente o conjunto do artista plástico Pedro Cabrita Reis, adquirido pela instituição (e a mostrar em 2018). Na sala Central 2, com curadoria de Luísa Especial, estão agora cerca de 40 peças.

A exposição chama-se Segunda Natureza e reúne peças de Gabriela Albergaria, Alberto Carneiro, Vasco Araújo, Julião Sarmento, Suzanne Themlitz, entre outros. Ponto de partida: "Já não existe natureza original, pela ação do homem ela tornou-se cultura", explica a curadora.

Sobre o acervo da fundação, Pedro Gadanho, explica que com o MAAT, ela ganha lugar cativo na programação. A coleção, assegura, é para crescer. "Somos das poucas instituições que continuamos a fazer aquisições regulares", diz. E com apenas dois curadores residentes, Gadanho aposta em chamar pessoas de fora. Foi o caso de Sérgio Mah, convidado para comissariar a exposição de Edgar Martins Silóquios, Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios, um projeto de três anos que levou o artista aos arquivos do Instituto de Medicina Legal e a debruçar-se sobre a morte violenta.

Anualmente, entre os dois edifícios, a fundação, com dois milhões de euros de orçamento para programação, prevê a realização de cerca de 20 exposições anuais, parte delas internacionais. Depois de Lightopia entra em cena The World of Charles & Ray Eames, a exposição que está atualmente no Barbican Centre, em Londres, e que mostra o trabalho do casal de designers.

Gadanho revelou que está a ser preparada uma exposição de meio de carreira da artista Fernanda Fragateiro para 2017, e que se vão dedicar a organizar este tipo de exposições.

O edifício da autoria de Amanda Levete abrirá ao público parcialmente no dia 5 de outubro, do meio-dia à meia noite. "Vamos ter o museu todo aberto, mas depois fechamos para montagem", esclareceu Gadanho. Apenas o hall será ocupado com uma instalação de grandes dimensões - um parque temático - da artista francesa Dominique Gonzalez-Foerster. Esta zona, sim, será de acesso gratuito.

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