Cortes vão afetar "sustentabilidade", diz diretor artístico

O diretor artístico da Casa da Música alertou hoje que o corte anunciado de 30% no financiamento irá afetar "a própria estrutura e sustentabilidade" daquele espaço cultural, mas está convicto que o executivo vai voltar atrás na decisão.

"Um corte de cerca de 30% vai afetar vai muito para além da programação. Afeta a própria estrutura e a sustentabilidade da Casa da Música", afirmou António Jorge Pacheco durante o protesto desta tarde frente ao edifício que acabou envolvido num longo abraço de defesa.

O diretor artístico recordou que se "chegou a um acordo com o secretário de Estado anterior em relação a um corte de não mais de 20%", tendo então sido "demonstrado facilmente que era o limite a partir do qual a casa se tornaria insustentável".

"E quando se fala num corte de 20% não é nenhuma prenda, é um corte brutal", acrescentou frisando ser esse o "limite máximo" que possibilita à Casa da Música "continuar a trabalhar como até hoje".

A 18 de dezembro, todos os membros do Conselho de Administração (CA) da Casa da Música apresentaram ao Conselho de Fundadores a renúncia aos respetivos mandatos, devido aos cortes de 30% impostos pelo Governo para 2013 nas transferências de verbas para a Fundação, considerando que "deixaram de estar reunidas as condições" que garantiam "o sucesso" da instituição".

A administração demissionária alertou em comunicado que, em abril, tinha sido acordada com o Governo uma redução de 20% no "financiamento inicialmente assegurado de 10 milhões de euros" e que, em novembro, em reunião do Conselho de Fundadores, "o Estado deu a entender que o CA não teria sido prudente em avançar com a execução do plano de atividades em 2012 e com a preparação do ano de 2013 apenas com base na palavra do anterior Secretário de Estado da Cultura"

Hoje, o diretor artístico assinalou, porém, que olha para o corte anunciado "como uma proposta de um corte e não como uma decisão final", mantendo-se por isso "otimista que haja ainda bom senso e tempo para se tomar uma boa decisão".

"Tenho esperança ainda que haja bom senso, boa-fé, que se façam bem as contas porque de facto 30 % é um corte que vai para além daquilo que é razoável", salientou.

Centenas de pessoas envolveram hoje, num longo abraço, a Casa da Música, no Porto, em protesto contra o corte de 30% imposto pelo Governo, numa iniciativa que nasceu na Internet e se faz acompanhar de uma petição pública lançada na noite de quinta-feira que conta com mais de 670 subscritores.

"Temos que apelar ao senhor primeiro-ministro que venha desfazer este equívoco", explicou Ada Teixeira da Silva, uma das organizadoras do protesto contra os cortes à Casa da Música que representam um "roubo de oferta cultural e artística" e tornam todo o investimento no equipamento em "desperdício".

Para a responsável, a decisão do executivo demonstra uma "atitude de completo desprezo" e de "desconsideração" perante "as coisas que são da arte e da cultura".

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