Contenção tem de ser articulada com crescimento sustentável

O secretário de Estado da Cultura afirmou quinta-feira à noite, em Lisboa, que "é necessário articular as necessidades de contenção da despesa pública com um crescimento inteligente e sustentável".

Jorge Barreto Xavier falava em Lisboa, na SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, e definiu cinco conceitos que "orientarão a área da Cultura" no próximo ano: "pluralidade; coesão; identidade; resiliência"e "crescimento".

Barreto Xavier, que tomou posse do cargo há cerca de dois meses, substituindo Francisco José Viegas, defendeu que "só as condições culturais permitem à economia e à formação profissional a consolidação da cidadania, que decorre de uma literacia integral".

Neste sentido, o titular da pasta da Cultura afirmou que "é função do Estado garantir a pluralidade de manifestação cultural" e que "não pode exercer uma política de gosto, mas deve exercer políticas públicas da Cultura que promovam o seu acesso enquanto bem social reconhecido como bem social básico".

Por outro lado, defendeu "a coesão" e a valorização pela sociedade portuguesa das "suas competências patrimoniais" e na criação contemporânea.

"Esta valorização é estratégica para a competitividade e emprego, mas também para a inclusão", argumentou.

A "pluralidade" e a "coesão", entendidos por Barreto Xavier como "objetivos estratégicos", conduzirão "a um sentido de identidade vivido e não simplesmente enunciado".

Neste sentido, argumentou o governante, as instituições culturais devem ser "aglutinadoras de valores intangíveis".

Para o secretário de Estado da Cultura, "as artes e os movimentos contemporâneos, património do futuro, são elementos decisivos para a vivência da identidade".

Outra linha de orientação da sua política à frente da Cultura, disse, é a "resiliência", "um conceito originário da física, [que] se refere à resistência ao stress e à capacidade de retorno ao equilíbrio".

Barreto Xavier explicou que "A resiliência implica uma atitude interior de resistência e resposta à adversidade", o que apontou como "decisivo no tempo em que vivemos".

"Para lá do protesto primário", disse o governante, há que procurar, "no âmbito da realidade europeia e portuguesa, concentrar energia no desafio da dificuldade e na preparação do crescimento".

Para o secretário de Estado, "foi um erro" identificar crescimento com crescimento económico, um paradigma que é errado e terá de mudar.

Barreto Xavier defendeu, na sua alocução de cerca de 20 minutos, a Cultura como uma oportunidade de afirmação da cidadania, como "uma condição de liberdade".

"A Cultura é condição de liberdade e é preciso pensar e agir para que a liberdade seja, de facto, elemento constitutivo de cidadania",rematou

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