Coliseu do Porto precisa de obras de pelo menos 4 a 5 milhões

A atividade da sala pode, em breve, ficar comprometida

O presidente do Coliseu do Porto revelou hoje que o equipamento precisa de obras de "quatro a cinco milhões de euros" nas coberturas e nas fachadas, podendo o valor duplicar com a instalação de climatização.

"Com a ausência de medidas consistentes [relativamente à reabilitação do espaço], a atividade do Coliseu pode, em breve, ficar comprometida", destacou o responsável do espaço, Eduardo Paz Barroso, numa reunião do Conselho Metropolitano do Porto (CmP).

O responsável, que na quinta-feira foi reconduzido para um segundo mandato de três anos na direção da instituição, notou que "o Estado, seguramente com a participação do município do Porto, têm de desempenhar um papel importante na reabilitação do edifício".

"A Associação Amigos do Coliseu [que gere o espaço e tem o Ministério da Cultura, a Câmara do Porto e a Área Metropolitana do Porto como os três maiores acionistas] não dispõe de meios financeiros para fazer a obra", alertou.

Para Paz Barroso, a reabilitação do edifício é "especialmente preocupante", sendo necessárias obras ao nível das coberturas, do revestimento estrutural das fachadas, de climatização e de consolidação de estuques.

O diagnóstico foi feito através de uma colaboração com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que apontou para uma "pré-estimativa que oscila entre os quatro e os cinco milhões de euros", apenas para as coberturas e as fachadas, observou o diretor.

Para instalar no Coliseu um sistema de climatização são também precisas obras, o que desde logo duplica o valor em causa, acrescentou.

Questionado pelo presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, sobre a possibilidade de uma candidatura da empreitada a fundos comunitários, Paz Barroso disse ter a indicação, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-N), de que "não há nenhum concurso aberto" a que o Coliseu se possa candidatar.

Na intervenção feita no CmP, Paz Barroso destacou ainda os resultados económicos do equipamento, cujo relatório de prestação de contas de 2016 foi aprovado na quinta-feira.

Segundo o responsável, o Coliseu terminou 2016 sem endividamento bancário e com "um resultado positivo de 74 mil euros".

Paz Barroso, que assumiu o primeiro mandato na direção do Coliseu do Porto em setembro de 2014, recordou que aquele ano terminou com um défice de 86 mil euros, que desceu para os 34 mil euros em 2015.

"O Coliseu está hoje numa situação incomparavelmente melhor. As contas são positivas e a situação é estável", vincou.

Os autarcas da Área Metropolitana do Porto decidiram a 31 de março manter Eduardo Paz Barroso como seu representante no Coliseu do Porto.

Nessa reunião, a comissão executiva do CmP tinha já apontado a necessidade de, a breve prazo, ser necessário fazer "um fortíssimo investimento em obras" no edifício.

Na ocasião, a vice-presidente da Câmara do Porto, Guilhermina Rego, defendeu que "seguramente o Ministério da Cultura tem uma palavra muito forte a dizer" quanto à necessidade de uma intervenção no edifício.

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