Colecionadores de arte cada vez mais interessados em leilões online

O interesse dos colecionadores de arte pelos leilões 'online' tem vindo a aumentar nos últimos anos, e representou, só no primeiro semestre deste ano, dez por cento da faturação do Palácio do Correio Velho, uma das maiores e mais antigas leiloeiras do país.

Numa faturação global de 5,5 milhões de euros, nos primeiros seis meses de 2016, os leilões 'online' representaram 600 mil euros, de acordo com Sebastião Pinto Ribeiro, um dos administradores do Palácio do Correio Velho, leiloeira fundada em Lisboa, há 27 anos.

Em entrevista à agência Lusa, o responsável indicou que, dos 41 leilões realizados pela empresa, neste período, 37 foram 'online', e as visualizações do sítio da leiloeira na internet têm vindo a aumentar desde 2014, quando arrancaram, em setembro, ultrapassando as seis milhões, no ano passado.

Em 2015, no total do ano, tinham sido realizados, pelo Palácio do Correio Velho, 46 leilões, 38 destes 'online', e, numa faturação global de dez milhões de euros, o 'online' representou 500 mil euros.

"Não quer dizer que os leilões presenciais vão acabar tão cedo", comentou, acrescentando que, embora o 'online' favoreça o anonimato e a rapidez do processo, alguns compradores continuam a apreciar os leilões tradicionais, "que constituem todo um momento especial, ao vivo".

Mas, para Sebastião Pinto Ribeiro, também presidente da Associação Portuguesa das Leiloeiras de Arte (APLARTE), a tendência internacional aponta para que, "dentro de cerca de cinco anos, o processo possa deixar de ser físico e a transação passará toda pelo 'online'".

"O mundo está a evoluir muito rápido ao nível das tecnologias, e poupa-se muito tempo com estas transações", sublinhou, acrescentando que, desta forma, deixa de ser também necessária uma organização logística dispendiosa.

Na internet, a identificação temática permite um reconhecimento e acesso mais rápido por parte dos clientes, que procuram, além de arte, antiguidades e raridades como livros, gravuras, medalhas, vinhos, porcelanas, brinquedos clássicos, entre outros.

Na mesma linha, o Palácio do Correio Velho começou a disponibilizar os 'leilões live', transmitindo os seus leilões presenciais em 'live streaming', através da plataforma 'online' internacional Invaluable.

Criada em dezembro de 2015, a APLARTE possui, neste momento, 15 associados, e tem como objetivo "a defesa da existência de um mercado leiloeiro de arte e antiguidades, pautado por elevados padrões técnicos e éticos, de acordo com as melhores práticas nacionais e internacionais".

"Fazia falta uma associação para representar o setor a nível institucional", sustentou Sebastião Pinto Ribeiro, acrescentando que os leilões de arte "têm uma especificidade própria", distinguindo-se dos leilões industriais, imobiliários, judiciais.

A associação representa os seus associados como interlocutor junto da tutela do setor -- o Ministério da Cultura, em particular a Direção-Geral do Património Cultural --, mas também organismos públicos como a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), as autoridades policiais e aduaneiras, o Instituto de Conservação da Natureza e as instituições privadas, ligadas ao mundo da cultura e ao mercado de arte.

Para o administrador do Palácio do Correio Velho, a criação da associação tornou-se ainda mais necessária com a aprovação, no ano passado, do decreto-lei nº 155/2015, que estabelece o regime jurídico da atividade leiloeira, "sem distinguir os leilões de arte de todos os outros".

Os associados da APLARTE consideram que a atual legislação "tem aspetos positivos, mas pode ser melhorada", sobretudo no que diz respeito à separação entre os tipos de leilões, desde os bens imóveis, móveis, presenciais e 'online'.

Questionado sobre se as vendas 'online' representam alguns riscos para ambas as partes, Sebastião Pinto Ribeiro disse que, da parte do vendedor, no Caso do Palácio do Correio Velho, que recebe os bens, os descreve e fotografa, "serve como uma garantia para os compradores, e, logo, esse caso não se dá".

Da parte dos compradores, "às vezes, as pessoas, por estarem do outro lado do computador, e não terem que dar a cara, pensam que têm menos obrigação no ato da compra e, por vezes, querem desistir".

"O leilão 'online' é a mesma coisa que um leilão físico: no ato de 'bater o martelo', a propriedade do bem passa para o adquirente, e, se este não finalizar a compra, pode obrigar em último caso a processos de cobrança judicial". "Felizmente são poucos os casos na nossa empresa, mas, sempre que acontece, imediatamente esse utilizador é bloqueado e não poderá voltar a comprar em nome dele", alertou.

Entre os associados da APLARTE contam-se as leiloeiras Cabral Moncada, Bidding, Veritas Art Auctioners, Aqueduto, Bestnet, Palácio da Memória e Numisma, entre outras.

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