'Colapso do Estado social' exige alternativas de financiamento

A ministra da Cultura alertou hoje, em Lisboa, para o 'colapso iminente do Estado social' nos países Europeus, defendendo a urgência de 'minimizar' a dependência do actual modelo e procurar formas alternativas de financiamento do sector.

Gabriela Canavilhas transmitiu esta ideia aos participantes do Seminário sobre Gestão Cultural que está a decorrer hoje no Centro Cultural de Belém, apresentado por Michael Kaiser, presidente do Kennedy Center for the Performing Arts de Washington, nos Estados Unidos.

'O Estado social está ameaçado', disse a governante, indicando que 'os défices públicos estão a obrigar a repensar o financiamento' que foi crescendo desde o período do pós-guerra, e sobretudo com os grandes investimentos realizados a partir dos anos 1970, nas áreas da cultura e do lazer.

No caso concreto de Portugal, na área da cultura, recordou que esse investimento deu-se sobretudo a partir dos anos 1990, com a criação do Ministério da Cultura e a entrada de fundos comunitários que deram origem a uma 'época dourada', mas que viria a acarretar depois 'o aumento de despesas de funcionamentos das estruturas' tuteladas.

Gabriela Canavilhas lembrou que em Portugal há instituições totalmente financiadas pelo Estado, como os museus, a Biblioteca Nacional e a Cinemateca, as que dependem do Ministério das Finanças, como os teatros nacionais, e as resultantes de parcerias com o sector privado, que deram origem à criação de fundações como Serralves, Casa da Música e Museu Berardo.

'O Ministério da Cultura continuará a ser o garante da actividade cultural nuclear do país', assegurou a ministra, mas urgiu para 'uma reflexão conjunta produtiva que possibilite criar formas alternativas de financiamento' do sector.

É neste quadro que surge o seminário de gestão s cultural desenhado pela entidade norte-americana, numa organização do Ministério da Cultura com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa e do Instituto Camões.

Em declarações à agência Lusa num intervalo do encontro, Gabriela Canavilhas sublinhou que esta é 'uma oportunidade de partilhar conhecimento e boas práticas' nesta área, sobretudo no perfil modelo anglo-saxónico.

'Os cortes de despesa pública nos países europeus demonstram que o Estado social encontrou o seu limite, mas há outras formas de dar segurança ao sector artístico e minimizar a dependência em relação ao Estado', sustentou.

Questionada sobre o próximo orçamento do Governo para a cultura, Gabriela Canavilhas escusou-se a fazer comentários.

Por seu turno, Michael Kaiser, especialista com experiência mundial em gestão cultural, fez também referência aos cortes que os governos de países europeus como a Itália, Alemanha, França e Reino Unido têm vindo a executar, neste último caso com uma diminuição de cerca de 40 por cento.

Perante uma audiência composta por dezenas de artistas, produtores, directores de museus e palácios, e outros agentes culturais, Kaiser considerou estes cortes 'assustadores' e admitiu que 'é muito difícil trabalhar na área das artes'.

Porém, sustentou que o sucesso 'é possível' através de uma estratégia concertada de planeamento, marketing e angariação de mecenato.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG