Um português entre os nomeados

Daniel Sousa, realizador português de origem cabo-verdiana, viu ontem 'Feral' ser nomeada para o Óscar de Melhor Curta-Metragem. Em entrevista ao DN, contou como recebeu a notícia da nomeação, do seu trabalho e projetos para o futuro, bem como das ligações que mantém com Portugal.

Estava à espera de ter esta nomeação para o Óscar de melhor curta-metragem de animação com 'Feral'?

Claro que não. Fiquei mais surpreendido quando cheguei à lista dos dez candidatos. Quando isso aconteceu achei que talvez tivesse uma oportunidade de chegar aos cinco.

Como descreveria a história?

É um filme sobre uma criança selvagem, que foi abandonada no bosque, e que tem de se defender sem a ajuda da sociedade. O problema começa quando a criança é encontrada por um caçador e devolvida à civilização, porque agora tem dificuldades em se adaptar ao novo ambiente. Na superfície é um filme sobre uma criança selvagem, mas a história é um veículo para explorar as ideias de identidade e o que define o ser humano, se é a inteligência ou os instintos.

Uma vez que aqui se foca numa criança, sendo que saiu de Portugal na infância, acha que esse período vivido cá ainda o influencia?

Acho que sim. Não sei se é feito de propósito, mas não posso evitar que essas influências entrem no filme. Quando estava a preparar esta curta-metragem fiz uma outra ainda mais curta, The Wind Mill, para tentar desenvolver o vocabulário para fazer Feral e nesse filme explorei uma memória muito específica de estar em Portugal, de visitar um desses moinhos abandonados, que já não tinha velas, em Linda-a-Velha. As cores, a atmosfera, a sensibilidade, acho que é mesmo portuguesa, mesmo neste novo filme.

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