'Jobs': À procura de uma dimensão mítica

Chega hoje às salas portuguesas o "biopic" sobre Steve Jobs, o mítico fundador da Apple. O ator Ashton Kutcher veste a sua pele num filme que revisita sobretudo alguns episódios marcantes da sua carreira profissional.

Título: 'Jobs'

Realização: Joshua Michael Stern

Com: Ashton Kutcher, Josh Gad, Lukas Haas, Victor Razuk

Apesar de toda uma longa história de sucessos e fracassos que remonta aos anos 70, foi no momento em que apresentou o primeiro iPod, em 2001, que Steve Jobs ganhou a dimensão de ícone pop à escala global. Não é portanto por acaso que Jobs, o filme de Joshua Michael Stern que amanhã chega às salas de cinema portuguesas, começa precisamente por recriar esse momento em que o pequeno leitor digital - que de facto mudou a forma como hoje quase todos nós ouvimos música - foi visto pela primeira vez num auditório da Apple, numa apresentação num estilo informal que Steve Jobs moldou à sua imagem e a um modelo de comunicação que, entretanto, já fez escola.

Escolhido como filme de encerramento da edição deste ano do festival de Sundance, o projeto começou a nascer da leitura de inúmeras entrevistas dadas pelo fundador da Apple. Assinado por Matt Whiteley, o argumento procura recordar sobretudo episódios da vida profissional de Steve Jobs, relegando para um plano claramente secundário as breves frestas pelo espaço da sua vida pessoal que agora vemos retratada no grande ecrã. A garagem da casa dos pais onde tudo começou, o sucesso do computador Apple II, a criação do Macintosh ou episódios da vida empresarial da companhia que passam por várias reuniões de criativos, de técnicos ou de administradores, fazem a maioria dos quadros de um filme mais centrado numa tentativa de retratar os acontecimentos que eventualmente interessado em conhecer as personagens que ali encontramos.

Excetuando a evocação da apresentação do iPod que abre o filme, toda a narrativa está cronologicamente arrumada, os vários peões do universo do fundador da Apple sendo recriados no cinema por atores com semelhanças físicas bem evidentes, a figura de Steve Jobs cabendo a Ashton Kutcher. Porém, e tal como aconteceu recentemente no modo essencialmente físico com que Anthony Hopkins recriou Alfred Hitchcock para o filme Hitchcock (que recordou o momento em que nasceu o clássico Psico), também o Steve Jobs de Ashton Kutcher foca as atenções do ator (e consequentemente do espectador) numa tentativa de decalque dos gestos e do modo de caminhar do líder da Apple.

Criticado por questões de veracidade como as já levantadas por Steve Wozniak (um dos fundadores da Apple retratados no filme), Jobs não será em breve o único biopic sobre este ícone do nosso tempo. Com argumento de Aaron Sorkin (The Newsroom ou A Rede Social), um novo filme será baseado em momentos concretos da autobiografia de Steve Jobs.

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