Versão brasileira de "Os Maias" lançada no Rio de Janeiro

O realizador português João Botelho lança hoje à noite no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, a versão brasileira de seu último trabalho, "Os Maias", que já se tornou um dos filmes portugueses mais visto em Portugal este ano.

Na versão para o público brasieiro, a narrativa em 'off', que representa a voz de Eça de Queirós, foi feita pelo ator brasileiro Paulo Betti, enquanto as restantes falas contam com legendas.

"Há subtítulos para que as pessoas possam entender. Somos países irmãos, mas com uma língua diferente", afirma João Botelho à Lusa, ao admitir que há certa dificuldade para os brasileiros em entender a oralidade portuguesa.

"Em 1985, ganhei o Festival do Rio e quando fiz um discurso de aceitação do prémio ninguém percebeu nada, só bateram palmas quando eu disse Glauber Rocha [famoso diretor brasileiro]", brinca, para evidenciar a importância dos subtítulos para o mercado brasileiro.

O filme, inspirado na obra de Eça de Queirós, recebeu uma parte do financiamento da Agência de Cinema do Brasil (Ancine) e conta com a participação de dois atores brasileiros, Maria Flor e André Gonçalves, além do diretor de som João Saldanha.

"Maria Flor fez um trabalho notável de composição de voz, em que entra português de Portugal, do Brasil e um pequeno sotaque francês", elogia o realizador, a recordar que o sotaque "dúbio" da personagem permitiu o uso de uma atriz brasileira.

Para ganhar a variante portuguesa, Maria Flor fez um trabalho com a atriz portuguesa Julie Sergeant, que vive no Brasil.

O filme será lançado esta noite numa sessão realizada durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, um dos mais importantes certames do audiovisual no Brasil, que este ano conta com 350 exibições de filmes, de 60 países.

A coprodução luso-brasileira gerou ainda uma minissérie, de mesmo nome, cuja exibição deverá ocorrer em outubro de 2015.

Ler mais

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.