Proposta de lei do Governo "parece excelente"

O realizador João Botelho disse hoje à agência Lusa que considera "excelente" a proposta de lei do Governo para o cinema e o audiovisual que foi apresentada para consulta pública na quarta-feira.

"Ainda só vi o projeto muito resumidamente, mas, à partida, a lei parece-me excelente. Eu nem acredito", avaliou o realizador do "Filme do Desassossego" (2010), sobre o livro de Fernando Pessoa. O documento está para discussão pública no site oficial do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e dá conta de um alargamento e diversificação do apoio e financiamento, contando com uma maior participação do setor do audiovisual em investimento direto e indireto.

O ICA continuará a atribuir apoio financeiro à produção de cinema, mas também à produção de obras audiovisuais, e o orçamento continuará a depender das receitas de cobrança da taxa de exibição, ou seja, da publicidade que passa nos canais televisivos, de quatro por cento.

"Vou estudar melhor o projeto nos próximos dias. " partida parece-me interessante porque reformula o sistema de apoios na obtenção de mais financiamento para o cinema. Mas quero esperar para ver", ressalvou o cineasta que se estreou em 1976 com a curta-metragem "O Alto do Cobre".

João Botelho comentou ainda que "a situação atual é totalmente diferente" e que nunca concordou com o "estranho funcionamento" do FICA - Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual, que está atualmente parado.

O FICA foi criado com um fundo inicial de cem milhões de euros, que seriam injetados por parceiros públicos e privados para investir em produções de cinema e audiovisual. Desses cem milhões, apenas 83 milhões de euros foram subscritos e, desses, 23,9 milhões de euros foram efetivamente realizados.

O FICA será liquidado e vai ser criada "uma nova agência que permita incorporar o investimento dos privados e recorrer ao financiamento de fundos europeus", disse na quarta-feira à Lusa o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.