Guimarães convida cineastas a filmar na cidade

Manoel de Oliveira, Pedro Costa, João Botelho e Jean-Luc Godard são alguns dos cineastas que filmarão até ao final de 2012 temas relacionados com a cidade de Guimarães, numa iniciativa da Capital Europeia da Cultura.

"No âmbito da Capital Europeia da Cultura, e até ao final de 2012, será produzida uma série de filmes que reflectirão a riqueza histórica e cultural da cidade de Guimarães, cruzando temas do passado com realidades do presente", indica a organização em comunicado hoje enviado à Lusa.

Além dos realizadores já citados, participarão também nesta iniciativa, a convite da área de programação Cinema e Audiovisual da Guimarães 2012, João Canijo, Margarida Gil, Aki Kaurismaki e Victor Erice, entre outros.

O programa, que pretende "celebrar o cinema como matéria indissociável das memórias, mas também impulsionar o seu crescimento em Portugal", tem um orçamento de 2,3 milhões de euros para a criação de novas obras cinematográficas, segundo a organização.

"Além da encomenda de novas produções, através do convite a autores nacionais e internacionais, o 'cluster' Cinema e Audiovisual pretende transformar Guimarães num novo centro de criação de cinema. Para tal, o projecto contempla também a criação de uma Plataforma de Produção Audiovisual", refere a Guimarães 2012.

A primeira de um total de "mais de três dezenas de obras" previstas será uma curta-metragem do cineasta português Rui Simões sobre as festas tradicionais Gualterianas, que será exibida durante o próximo ano, e cujas filmagens já se iniciaram, dando o "pontapé de saída" oficial no calendário de filmagens.

Com uma equipa de nove elementos, Rui Simões vai documentar alguns dos momentos mais emblemáticos daquela tradição popular, como a Corrida de Cavalos ou a Marcha Gualteriana, que decorrem na próxima segunda-feira, 08 de Agosto, último dia das Festas Gualterianas que se realizam desde 1906 em honra de São Gualter, santo padroeiro de Guimarães, sempre no primeiro fim-de-semana de Agosto.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Pode a clubite tramar um hacker?

O hacker português é provavelmente uma história à portuguesa. Rapaz esperto, licenciado em História e especialista em informática, provavelmente coca-bichinhos, tudo indica, toupeira da internet, fã de futebol, terá descoberto que todos os estes interesses davam uma mistura explosiva, quando combinados. Pôs-se a investigar sites, e-mails de fundos de jogadores, de jogadores, de clubes de jogadores, de agentes de jogadores e de muitas entidades ligadas a esse estranho e grande mundo do futebol.

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.