Como um campo de batalha

Depois de O Acossado (1959), a primeira metade da década de 60 foi para Jean-Luc Godard um tempo de fulgurante criatividade. Através de títulos como Viver a Sua Vida (1962), O Desprezo (1963) ou Uma Mulher Casada (1964), afirmou-se não apenas como um dos símbolos da Nova Vaga francesa, mas também como um genuíno experimentador, expandindo a linguagem cinematográfica para além dos seus limites clássicos, ainda que mantendo um enorme respeito pela herança dos mestres do passado.

Pedro o Louco é uma das mais extraordinárias proezas da sua filmografia, tendo-se transformado num emblema de toda a sua obra, e também do próprio espírito transformador da Nova Vaga. Num certo sentido, pode ser definido como uma tradicional aventura romântica: um par (Jean-Paul Belmondo e Anna Karina) viaja através da França, numa trajectória que tem tanto de drama policial como de epopeia interior. Ao mesmo tempo, integrando as mais diversas formas de inspiração, em particular da literatura e da pintura, Godard faz um filme que funciona como um poema em aberto: somos confrontados com as frondosas possibilidades do cinema, testemunhando a sua época, inventando um mundo alternativo e paradoxalmente livre.

Numa célebre cena de Pedro o Louco, Godard filmou um dos seus mestres americanos, Samuel Fuller, a explicar o que é o cinema. Diz: "O cinema é como um campo de batalha. Tem amor, ódio, acção, violência, morte... numa palavra: emoção."

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