Cinemateca vai receber "dotações extraordinárias"

A diretora da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, Maria João Seixas, indicou hoje que a entidade vai receber "dotações extraordinárias" mensais no orçamento até dezembro de 2013, garantindo o arranque das atividades previstas já para setembro.

"Tive a garantia da Secretaria de Estado da Cultura que haverá este reforço no orçamento até ao final do ano, e por isso já começámos a divulgar a programação do próximo mês", que tem início na segunda-feira, dia 02 de setembro, disse a responsável à agência Lusa.

A diretora da Cinemateca disse desconhecer ainda o montante que lhe vai ser atribuído, ou a origem desse reforço financeiro, mas confessou sentir-se "muito aliviada" com esta decisão da Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Na sexta-feira, o subdiretor da entidade, José Manuel Costa, tinha indicado à Lusa que essa "dotação extraordinária" para o funcionamento da entidade estava garantida como "um plano de emergência para este ano e para o ano que vem".

Maria João Seixas comentou que o responsável "deve ter feito alguma confusão" e que este reforço da SEC está previsto até dezembro de 2013.

"O modelo de financiamento de 2014 ainda vai ser discutido", declarou.

A diretora da entidade tinha vindo a lançar alertas nos últimos meses sobre o agravamento da situação financeira e de quase rotura que ameaçava o arranque da "casa do cinema" em setembro.

"Estou muito aliviada", repetiu, acrescentando que tem consciência "do grande empenhamento do secretário de Estado da Cultura [Jorge Barreto Xavier] na resolução do problema".

Questionada sobre a necessidade de rever o modelo de financiamento da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, e em que direção deveria prosseguir, Maria João Seixas disse que essa reflexão deveria ser feita.

"Estamos todos a sofrer as consequências da crise", comentou, referindo-se à queda das receitas publicitárias nas televisões.

O orçamento da Cinemateca não depende diretamente do Orçamento Geral do Estado, mas provém da cobrança da taxa de quatro por cento de exibição de publicidade nas televisões, cujas receitas são repartidas entre aquele organismo (20 por cento) e o Instituto do Cinema e Audiovisual (80 por cento).

"Mas este é um momento de dar a boa notícia", salientou à Lusa.

A programação da Cinemateca abre na segunda-feira com o filme "La Joven/The Young One" (1960), de Luís Buñuel, uma coprodução do México e dos Estados Unidos da América.

Estão ainda previstos ciclos dedicados ao cineasta canadiano Denis Côté e ao espanhol Victor Erice.

Em setembro também irá acontecer o lançamento do livro "Casa de Lava -- Caderno de Pedro Costa", recentemente editado pela Pierre von Kleist Editions.

Neste âmbito, será exibida "Casa de Lava" (1994), segunda longa-metragem do realizador Pedro Costa.

A Lusa tentou contactar hoje a SEC para obter mais pormenores sobre as dotações extraordinárias para a Cinemateca, mas não obteve resposta.

Esta semana, fonte do gabinete do secretário de Estado da Cultura, reiterou que "a Cinemateca Portuguesa -- Museu do Cinema e o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento não vão fechar".

"Independentemente de quaisquer circunstâncias, as medidas para garantir o funcionamento da Cinemateca estão a ser asseguradas", disse a mesma fonte.

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