Filhos de Grace Kelly boicotam festival de Cannes

Os passos conheceram-se em Cannes, Alberto, Carolina e Stephanie vivem a dois passos mas nenhum deles estará presente na estreia mundial de "Grace do Mónaco" no festival, no dia 14 de maio. Dizem que a obra "não pode ser classificada como biopic". Chamam-lhe um "desvio" da História com "propósitos meramente comerciais". O realizador diz que a reação é "um pouco desproporcionada".

"É um assunto delicado, doloroso", reconhece Olivier Dahan, esta semana, à revista francesa Le Parisien Magazine, citado pela AFP, em resposta ao mau estar de Alberto II, chefe de Estado do Principado do Mónaco, e das irmãs, Carolina e Stephanie, em relação a "Grace do Mónaco", filme sobre a vida da mãe, a que famílía já não se quer associar "de nenhuma forma".

O desagrado foi manifestado publica e veementemente, em janeiro de 2013, com um comunicado assinado pelos três filhos da atriz norte-americana. Chamaram-lhe versão "inultilmente glamorisada" de uma episódio da história, "baseado em referências erróneas e literárias duvidosas".

O momento é a ameaça de anexação do Principado pelo então presidente de França, Charles de Gaulle, reinvidincando taxas de empresas sedeadas no Mónaco.

"Não posso fazer nada em relação ao ressentimento anti-francês exacerbado do filme. A intriga desenrola-se em 1962, no momento da crise diplomática entre o Mónaco e Paris", diz Olivier Dahan, assegurando que nunca recusaram que o filme fosse visto pela família.

Os filhos de Grace Kelly queixam-se de erros históricos no filme e afirmam que as suas observações do Palácio não foram tidas em consideração. Dahan, por outro lado, diz que a família teve acesso a várias versões do guião e fez reparos. "Alguns aceites, outros não".

O realizador faz, no entanto, questão de reclamar para si o direito de "fazer um filme de ficção". "Este não é um trabalho de historiador, é de artista", afirma.

Um aspeto com o qual a organização do festival se mostra de acordo. defendendo "o direito à licença poética". "O filme não é um biopic no sentido estrito do termo, do nascimento à morte" e "contribuirá certamente de boa maneira para a lenda monegasca", diz o diretor geral do festival Thierry Frémaux à AFP.

"Grace do Mónaco é o filme que vai abrir a edição deste ano do Festival de Cannes, a 14 de maio. É uma estreia simbólica, uma vez que Grace Kelly e Rainier se conheceram na 55.ª edição do festival. A atriz apresentava o filme "Ladrão de Casaca", o o príncipe assistia como convidado de honra, como aconteceu muitas vezes depois disso. Este ano, no entanto, a ausência dos Grimaldi é intencional.

A ação do filme de Olivier Dahan, autor do filme 'La Vie en Rose' sobre a cantora Edith Piaf, centra-se no momento em que a atriz norte-americana se casa com Rainier, em 1956, o seu momento de glória, anunciando (à porta da loja Cartier) que abandona o mundo do cinema. Seis anos depois, perante a sua incapacidade de desempenhar as suas tarefas reais, Alfred Hitchcock convida-a para participar num novo filme, mas ela declina. A tensão com a França está ao rubro nesse momento.

"Grace do Mónaco" tem a atriz australiana Nicole Kidman no principal papel, ao lado do ator norte-americano Tim Roth, que interpreta o príncipe Rainier.

Estreia nas salas de cinema portuguesas no dia 22 de maio, com distribuição da Zon Lusomundo.

Veja aqui o trailer do filme:

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