Fantasporto é o início de dois jovens realizadores

Patrícia Neves Gomes, da escola artística portuense Soares dos Reis, e Diogo Gomes, da Universidade Católica do Porto, são dois dos jovens realizadores cujas curtas-metragens foram apresentadas na 33.ª edição do Fantasporto, no âmbito do Prémio Cinema Português-escolas.

Ao todo são sete as instituições de ensino em competição, entre as quais também constam a Universidade Lusófona; o Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias (Restart); a EPI/ETIC; a Escola Superior de Teatro e Cinema e a Universidade do Minho. 'Dualidade' é o nome da curta apresentada por Patrícia, de apenas 18 anos, e 'Serra' o pequeno documentário de Diogo.

Ser original e não copiar as ideias de ninguém é o que Diogo Gomes, da Universidade Católica do Porto, pretende. Quanto a realizadores, revela a sua admiração por Kubrick, Gaspar Noé e Harmony Korine, mas o que tenta retirar dessa admiração é a apenas "a visão que estes três realizadores têm do cinema", confessa o aluno. "Eles não vão buscar nada a lado nenhum", continua, "fazem por eles próprios e sabem muito bem o que estão a fazer. Gosto deles porque trabalham o cinema de autor e expõe a sua visão pessoal", explica.

Patrícia Neves Gomes, por outro lado, assume que ainda tem muito a aprender sobre cinema, por isso mesmo não quis avançar com nenhum nome. O que mais lhe apraz ver, no entanto, é uma parte técnica bem trabalhada aliada a um bom argumento. "Pequenas histórias soltas que ocorrem no dia a dia" é o que lhe interessa. O resto deve-se "à destreza de fazer continuar a história", explica.

Uma manhã na vida do avô de Diogo e a dualidade entre a mente e o corpo são as tónicas principais das curtas apresentadas por estes dois jovens realizadores. "O principal desafio técnico com o qual me deparei", explica o estudante da Universidade Católica do Porto, "foi o facto de filmar em espaços pequenos, numa casa perfeitamente normal que não constui novidade para ninguém. Tive de olhar para esses espaços de forma diferente e descubrir ângulos novos", refere.

Outro aspeto, sob o ponto de vista de Diogo, que pode constituir um desafio para quem está a apenas no início, é que no documentário tem de se estar com muita atenção ao que se passa em volta para se capturar os momentos mais importantes. "Como já conhecia bem o meu avô e a casa dele", refere o jovem realizador, "já me sentia mais há vontade nesse aspeto."

A luz foi a principal inimiga de Patrícia. "Tive de gravar numa corrida contra o tempo para poder controlar a luz", explicita a aluna da Soares dos Reis. Gravou a sua curta metragem em dois dias aproximadamente quatro horas cada. Outro aspeto que dificultou o seu trabalho foi o facto de depender "dos favores e da boa vontade das outras pessoas", conta. "Não tinha nada para dar em troca", revela Patrícia, o que tornou dificil as sua tomadas de decisão quanto aos locais e ao ator.

O argumento é importante para a estudante da Soares do Reis que diz admirar pequenas histórias soltas no ar. A escrita tem um papel preponderante na sua curta, ou não ficasse a sua personagem, no auge da sua solidão, inquietada por não poder desanuviar a mente numa pequena folha de papel. Já o que atrai Diogo no documentário é facto de não ser necessário guiões nem personagens. "Há erros que no documentário são admissíveis mas na ficção já não", diz o estudante de cinema. "Isso é uma mais valia para os estudantes", confessa. Um pequeno documentário realista em contraposição a uma curta que denuncia a inquietude da mente quando se está só e o corpo não tem ocupação. São dois projetos desenvolvidos por dois estudantes que dão os primeiros passos na realização. Embora ambos admitam que há uma maior abertura no que diz respeito a ajudas, Patrícia finaliza, "eu acho que estamos por nossa conta."

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