'Die Hard': Envelhecer com Bruce Willis

Bruce Willis veste pela quinta vez o papel de John McClane em mais um capítulo da saga 'Die Hard'. O novo filme é realizado por John Moore.

Título: 'Die Hard: Nunca é Bom Dia para Morrer'

Realização: John Moore

Com: Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch

Distribuidora: Fox

Classificação: 0 / 5

Bruce Willis é um rapaz da minha geração. Em 1988, há exatamente um quarto de século, quando o vi no primeiro Die Hard (Assalto ao Arranha-Céus), senti-me recompensado pelo contraponto que ele representava face a Indiana Jones. O herói interpretado por Harrison Ford relançava o artifício da grande aventura, projetando-nos em cenários abstratos de banda desenhada; Bruce Willis arriscava regressar aos contrastes da paisagem urbana, movendo-se, não no exotismo de países distantes, mas no espaço concreto da cidade.

Sem dúvida por isso, sempre reagi contra uma certa imagem mediática, banalmente anedótica, do ator. Para mais, através de uma sábia gestão de carreira, ele ia alternando os derivados de Die Hard com coisas infinitamente mais ousadas (lembremos apenas O Sexto Sentido, de M. Night Shyamalan, lançado em 1999). Agora, com a estreia de Die Hard: Nunca É Bom Dia para Morrer, variante n.º 5 (!) do sucesso inicial, a cumplicidade geracional obriga-me a dizer que custa ver Bruce Willis envelhecer de forma cinematograficamente tão gratuita.

O novo Die Hard é um daqueles apoteóticos disparates que dão má fama a Hollywood, mais parecendo resultar de uma rodagem em que a equipa de efeitos especiais tomou conta da produção, obrigando a uma cadência histérica de explosões, completamente alheia a qualquer linha de argumento. Aliás, o dito argumento, projectando na Rússia a personagem de Bruce Willis e o seu filho (Jai Courtney), pouco mais consegue do que coleccionar lugares-comuns que se vão adivinhando entre o ruído das explosões.

Tudo isto seria apenas motivo breve de desencanto, não se desse o caso de este ser também o tipo de objecto capaz de atrair um disparate ainda maior. A saber: que a "crítica" não gosta de filmes com "efeitos especiais"... Mesmo não perdendo tempo com a má-fé dessa descrição coletiva e homogénea dos críticos, vale a pena recordar que não é possível compreender uma parte exuberante da história do cinema sem considerar as mais variadas técnicas de transfiguração interior das imagens. Veja-se Georges Méliès, há mais de 100 anos... Ou ainda o exemplo de Psico (1960), de Alfred Hitchcock, atualmente em reposição (ainda que os espectadores que confundem efeitos especiais com carros a explodir nem sequer suspeitem das admiráveis manipulações "hitchcockianas").

Melhor ou pior, a minha geração é aquela que descobriu, no seu próprio tempo, um dos mais lendários filmes na história dos efeitos especiais: 2001: Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick. Acontece que, neste caso, o essencial não é a ostentação do poder tecnológico, mas o renovado desafio de contar histórias e lidar com as fronteiras da própria identidade humana. Lembro-me de andar no liceu e descobrir, siderado, o fascínio (em muitos aspetos insondável) de tal obra-prima. Quero pensar que Bruce Willis também não se esqueceu.

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