Crianças de 'Aniki Bobó' na homenagem a Manoel de Oliveira

Para além da homenagem a Manoel de Oliveira no dia 6 deste mês, com o objetivo de assinalar os 70 anos da estreia do primeiro filme do realizador, o lado português do festival conta com 13 filmes nacionais e com a entrada em competição de sete escolas de cinema.

A diretora do festival conta que a introdução do Prémio Cinema Português já está dar os seus frutos e reitera que "não é qualquer filme que entra no festival." A fasquia aumentou e "as pessoas vão notar isso porque agora os filmes já são feitos para o Fantasporto."

"Estamos a tentar, conjuntamente com Manoel de Oliveira e a família, trazer os dois miúdos do Aniki Bobó, agora já pessoas de idade. Vai ser extraordinário", conta Beatriz Pacheco Pereira ao DN."Foi arriscado mandar vir o filme da cinemateca porque tínhamos consciência que o realizador poderia estar muito doente nessa altura e tivemos medo que não fosse possível fazer a sessão", confessa, "mas quando a cópia chegou da cinemateca contactamos o Manoel de Oliveira que ficou entusiasmadíssimo com a vinda ao Fantasporto. Fiquei pasmada, aquele homem é fantástico", realça a diretora do Fantasporto.

Quanto à atribuição do Prémio Carreira a António Macedo, António Reis, um dos responsáveis do festival, revela que tal significa um regresso às origens do evento, que se encontra assente na ficção científica e no fantástico. Segundo o que revelou à agência Lusa, "de todos os realizadores portugueses de longas metragens, é o que tem uma estrutura de filmografia que se aproxima mais daquilo que era o tradicional Fantasporto." Para assinalar a ocasião o festival transmite cinco filmes do realizador. Ontem já se pôde assistir, no pequeno auditório do Teatro Rivoli, o filme Os Abismos da Meia-Noite, amanhã será projetado Os Emissários de Khalom, na próxima quarta-feira O Princípio da Sabedoria e, por último, na quinta-feira, a obra cinematográfica Chá Forte com Limão.

Apesar de Beatriz Pacheco Pereira confessar ao DN que era penoso, por vezes, mostrar o amadorismo do cinema nacional, revela que a introdução do Prémio Cinema Português já está a dar os seus frutos. "A certa altura achei que estava na hora de dignificar o cinema português tal como fazemos com o cinema estrangeiro", revela. Assinala ainda que no momento "não é qualquer filme que entra no festival. Têm de ser inéditos, com qualidade e escolhidos pelo júri. As pessoas vão notar isso porque agora os filmes já são feitos para o Fantasporto e isso elevou a fasquia."

Ao todo são 13 as películas nacionais a concurso. A Nau Catrineta, de Artur Correia, Lúcio, de Rui António, e Transgressão de Pedro Farafate, são alguns dos filmes nacionais que constam na lista.

As escolas de cinema nacionais também entram em competição este ano. "Estas escolas, num espírito de sã concorrência, trazem ao Porto a nova fase do cinema português do futuro", revelou Beatriz Pacheco Pereira no seu discurso na sessão de abertura, na sexta-feira. A Universidade do Minho, a escola portuense Soares dos Reis, a Universidade Católica, a Universidade Lusófona, a Escolas Superior de Teatro e Cinema de Amadora e as Escolas Superiores Restart e EPI/ETIC, são as sete intuições escolares presentes. "Tenham agora estes jovens a oportunidade de trabalhar em Portugal", finaliza a diretora.

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