Clássicos de Oliveira em sala e DVD

'Douro, Faina Fluvial' e 'Aniki-Bobó' voltam hoje restaurados aos cinemas, e saem simultaneamente em DVD.

O documentário de Manoel de Oliveira Douro, Faina Fluvial foi apresentado em versão muda, em Setembro de 1931 no V Congresso Internacional da Crítica, em Lisboa, onde foi pateado mas elogiado por Luigi Pirandello. Estreou- -se em Agosto de 1934, no Cinema Tivoli, já em versão sonora, com música de Luís de Freitas Branco, em complemento de Gado Bravo, de António Lopes Ribeiro. É o primeiro filme de Oliveira.

A primeira longa-metragem do realizador, Aniki-Bobó, baseada no conto Meninos Milionários, de Rodrigues de Freitas, e co-produzida por Lopes Ribeiro, representa a transição do cineasta do documentário para a ficção e estreou-se no Eden, em Dezembro de 1942. O público não acolheu bem o filme, sobre o qual um crítico anónimo escreveu à época: "A fita é uma infame cilada armada à inocência das crianças e à imprevidência dos pais. É uma verdadeira monstruosidade."

O tempo encarregou-se depois de transformar Douro, Faina Fluvial e Aniki-Bobó em verdadeiros clássicos do cinema português, e referentes da filmografia de Manoel de Oliveira, elogiados até pelos mais cépticos da obra do autor de Amor de Perdição.

Os dois filmes regressam hoje aos cinemas, em vésperas do 102.º aniversário de Oliveira, em versões restauradas e remasterizadas em alta definição, sendo lançadas simultaneamente em DVD, numa edição com vários extras, iniciativa inédita em termos de filmes portugueses (Nas salas, Douro, Faina Fluvial passa em complemento de Aniki-Bobó).

Segundo explica ao DN Saul Rafael, da Zon Lusomundo, à qual se deve o restauro e a volta destes dois filmes às salas comerciais, "iniciámos um processo de restauro de clássicos portugueses, e esta edição em DVD vem nessa linha de restauro do espólio cinematográfico português que nos pertence, começado com O Pai Tirano e O Pátio das Cantigas. Temos os direitos de toda a filmografia de Manoel de Oliveira para trás de O Meu Caso, e outros filmes virão. No decorrer de 2011, deverá estar em DVD toda a filmografia de Oliveira, e vamos continuar a editar outros clássicos, como A Revolução de Maio, O Primo Basílio ou Amor de Perdição, todos de António Lopes Ribeiro".

No caso de Aniki-Bobó, trata-se de um investimento "que ronda os 20 mil euros", diz Saul Rafael, que acrescenta: "O Douro, Faina Fluvial e o Aniki-Bobó estarão uma semana em cartaz em Lisboa e no Porto, mas poderão continuar se os resultados de bilheteira forem animadores. Esta experiência é um projecto-piloto, digamos assim, para uma possível futura recolocação nos cinemas de outros títulos clássicos portugueses, como O Pai Tirano e O Pátio das Cantigas. Simultaneamente, quisemos assinalar mais um aniversário do Manoel de Oliveira e medir o potencial interesse de um projecto desta natureza".

Tanto Douro, Faina Fluvial como Aniki-Bobó estavam inéditos em DVD, e apenas este tinha sido editado em VHS.

O DVD apresenta as três versões do documentário: a muda, de 1931, exibida no V Congresso Internacional da Crítica; a de 1934, com música de Luís de Freitas Branco, correspondente à que regressa aos cinemas; e a de 1994, com música de Emmanuel Nunes. O subdirector da Cinemateca, José Manuel Costa, faz uma introdução a estas três versões de Douro, Faina Fluvial, e um depoimento que contextualiza a recepção do filme e a sua evolução histórica.

Entre os extras desta edição em DVD de Douro, Faina Fluvial, e Aniki-Bobó, conta-se a curta-metragem Famalicão, que Manoel de Oliveira realizou em 1939. Estreado em 1941 com o filme Porto de Abrigo, de Adolfo Coelho, Famalicão conta com a voz de Vasco Santana. Foi a única narração feita pelo actor no cinema.

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