Cineclubismo foi o maior movimento cultural de massas pré-25 de Abril

O diretor de produção Henrique Espírito Santo disse, em entrevista à Lusa, que o cineclubismo foi o "grande movimento cultural de massas antes do 25 de Abril" e afirmou esperar que recupere essa importância no presente.

Henrique Espírito Santo, homenageado este ano pelo Fantasporto, recordou que nomes como José Fonseca e Costa, João César Monteiro e Vasco Granja se formaram na "escola" dos cineclubes, sendo entidades com tal importância nas décadas de 1960 e 1970, que eram "perseguidas pela PIDE".

"Costumo considerar, sem grande exagero, que o cineclubismo foi o grande movimento cultural de massas antes do 25 de Abril. Os cineclubes continuam, há uma federação, toda uma relação e o que eu digo é que é preciso que estejam atentos e lutem ao lado dos cineastas, das associações de realizadores, das associações de produtores, de técnicos, porque estamos de novo numa situação difícil, sabe-se lá o que é que vai acontecer", afirmou o diretor de produção, agora com 82 anos, recordando as mudanças à lei do setor.

O movimento cineclubista, "aliado aos intelectuais de esquerda de então e aos jornalistas", conseguiu pressionar "o poder a pouco e pouco", para que fizesse "cedências", levando a uma "sensibilização da [Fundação Calouste] Gulbenkian" para que fossem apoiados os filmes dos jovens realizadores da altura, gerando-se três anos de subsídios, concretizados através do Centro Português de Cinema.

Na atualidade, e face a um panorama de distribuição centralizado, "na mão de poucos ou quase nenhuns", o diretor de produção de filmes como "O Bobo", de José Álvaro Morais, e "A Fuga", de Luís Filipe Rocha, entre muitos outros, considera que os cineclubes têm um papel a desempenhar para apresentar mais oferta.

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