BE promove debate "contra cortes" na Cinemateca

O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a "situação preocupante da Cinemateca Portuguesa" e promove hoje um debate "contra os cortes" na instituição.

"Pelo Cinema que a Cinemateca permite existir" é o lema do "encontro contra os cortes e a perda de autonomia financeira da instituição", organizado pelo fórum online esquerda.net, mantido pelo Bloco de Esquerda, agendado para hoje, na própria Cinemateca, às 19:30. A directora da Cinemateca, Maria João Seixas, afirmou que desconhece "quem convocou ou o que quer fazer" com tal encontro, mas sublinhou que a instituição é "um lugar público, onde as pessoas se podem encontrar". A Cinemateca Portuguesa foi "obrigada" a reduzir a sua oferta de Abril a três sessões diárias, em lugar das habituais cinco, devido às medidas administrativas introduzidas por uma nova portaria, que diz diminuir a sua "autonomia financeira e administrativa", explicou Maria João Seixas, à Lusa, em declarações de 30 de Março. "Por enquanto, [a situação] mantém-se, mas estamos a pensar fazer outras coisas, não estamos parados", adiantou hoje.

A Cinemateca, referiu Maria João Seixas, "toma como estímulo estas manifestações de solidariedade", mas não organiza debates para discutir a sua situação. "Temos tido muitas manifestações de solidariedade, de preocupação, de puros cidadãos, uns conhecidos, outros não, que nos dão ânimo para continuarmos a tentar fazer o melhor que podemos com estas dificuldades todas que afetam todos os organismos públicos, e uns até com certeza mais dolorosamente do que a própria Cinemateca", realçou. O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou na segunda-feira uma pergunta ao Governo, concretamente ao Ministério da Cultura, sobre a "situação preocupante da Cinemateca Portuguesa", considerando que as "medidas administrativas" introduzidas pela Portaria 4-A/2011 "comprometem de forma séria a atividade" do organismo público. "É só através de uma elevada qualidade da oferta que se fomenta e pode construir, de forma sustentável, a base cultural de um país", advoga o BE, afirmando "que seria esperado que o impacto destas medidas tivesse sido acautelado, de forma a que não tivessem para a instituição e público em geral os efeitos que estão a fazer-se sentir". E por isso responsabiliza o Ministério da Cultura e as "regras cegas", perguntando "que medidas pretende adoptar para corrigir a situação".

No domingo, também a Associação Portuguesa de Realizadores acusou o Governo de estar a "apagar a Cinemateca Portuguesa" e criticou a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, por ainda não ter dito publicamente "nada sobre este assunto". "Num país em que a indústria norte-americana invadiu as salas de cinema de uma forma tão hegemónica, a Cinemateca Portuguesa tornou-se uma ilha essencial para a vida de uma cultura cinematográfica e para a organização de um pensamento sobre o cinema, como se sabe, lugares raros neste país", sublinhou a associação. Na origem está a Portaria 4-A/2011, de Janeiro, que introduziu novas medidas administrativas que afectam "a aquisição de serviços de todos os organismos públicos", referiu Maria João Seixas. "Não afecta o orçamento, mas afecta a maneira de utilizar o orçamento", explicou, mencionando o exemplo do transporte e da legendagem das cópias de filmes.

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