À procura da magia do Fantasporto

Fomos escutar o que dizem os espectadores desta 33ª edição do festival. A direção espera gente de vários pontos do globo e maior presença de profissionais da indústria cinematográfica.

A época "Pré Fantas" começou na passada segunda-feira assinalando os 40 anos do filme O Planeta Selvagem, de René Laloux, acompanhado musicalmente ao vivo pela orquestra Beautifuk Junkyards. Apesar de se esperar uma maior afluência de espectadores a partir de hoje, dia em que decorrerá a sessão de abertura oficial do Fantasporto, as pessoas têm passado nos últimos dias pelo Teatro Rivoli para ver o cartaz, tirar impressões acerca do programa e comprar os bilhetes.

Há quem pense que a magia inicial do Fantas se perdeu algures pelo caminho, tal como nos diz o jovem Pedro Miranda, ou que deveria voltar ao espaço aberto da praça, como relembrou André Gomes. "Era um lugar de partilha da própria cinefilia", confessa André Gomes. Tal não o impede, porém, de referir que uma das grandes qualidades do festival passa por "estar em contacto com os realizadores e com as pessoas que realmente são amantes de cinema. São essas pessoas que fazem com que máquina não pare." Já com a programação do Fantas deste ano na mão, diz gosta de estar ali presente porque, segundo conta, "é uma oportunidade para ver amigos" que apenas encontra ali, oriundos de todos os pontos do país. "Conheço também pessoas de Espanha que vêm de propósito para ver cinema, o que realça o lado social do Fantasporto."

André já veio a edições de outros anos. Sobre o rumo que o festival tem tomado conta que tem "evoluído de forma diferente em relação ao que era inicialmente, não para um ponto negativo, mas de uma forma diferente. Está a fugir um bocado ao conceito original e isso nota-se nas próprias categorias dos filmes. Já não são tão visíveis obras cinematográficas como o Love Conception ou o Oriental Express, os chamados filmes de série Z. Mas penso que a qualidade mantém-se."

Pedro Miranda, sentado nas escadas do Rivoli a ver o programa ao lado de Mariana Santos, é mais incisivo nesta crítica:"os filmes estão a entrar numa onda mais comercial". Mariana completa: "os que passaram no ano passado, por exemplo, estavam inseridos num circuito diferente e tinham já alguma projecção. O Fantas pertence a uma linha mais especializada." Sobre as obras cinematográficas em exibição deste ano as que chamaram a atenção de André, Pedro e Mariana constam Ace Attorney, do japonês Takashi Miiki,em exibição no próximo domingo, e o filme de abertura Mama, de Andrès Muchietti. Pietá, do coreano Kim Ki Duk, em exibição também no domingo, chamou ainda a atenção especial de André.

Bom cinema e filmes alternativos é o que chama Andreia Oliveira ao Fantasporto 2013. Já tinha estado na edição do ano passado e gostou da atmosfera do festival. Quanto aos eventos paralelos, este ano marcados por um cariz literário muito forte, conta que ainda não está a par. O que lhe despertou a atenção foi Guilhermo del Toro, o produtor de Mama. "Vi já a apresentação do filme e fiquei curiosa."

André Gomes destaca ainda que "tem havido uma aposta em termos de cinema português e dos próprios estudantes das escolas de cinema". Isso interessa-o. "As mostras que passam no pequeno auditório dão mais valor, por exemplo, às curtas metragens que fazem nas escolas do Porto, o que é extremamente importante", acrescenta.

A diretora do festival Beatriz Pacheco Pereira, ao sair do Teatro Rivoli, diz ao DN que sabe já que vem gente da Finlândia, Japão, Galiza, Madrid e de outros países, e confessa que este ano espera uma maior afluência de espectadores e uma maior presença por parte dos profissionais da indústria cinematográfica. Como evento paralelo, por exemplo, o Fantasporto deste ano irá acolher no dia 7 de março o VI Encontro Ibérico de Blogs de Cinema, que juntará no mesmo espaço uma grande parte dos bloggers cinéfilos da Península Ibérica. "80 % dos realizadores a concurso estarão cá, a par de produtores, distribuidores e fotógrafos de cinema, conta-nos a diretora do Fantas.

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