Cinco anos e 52 milhões depois, reabre o Museu Picasso de Paris

Derrapagem orçamental e diretora conflituosa atrasaram a inauguração do museu, encerrado há cinco anos. Em 2015, estima-se que receba um milhão de visitantes.

No próximo sábado, dia 25 de outubro, data em que Picasso faria 133 anos, reabre em Paris o espaço dedicado unicamente às obras e memórias do pintor espanhol, um dos mais influentes artistas do século XX.

A fasquia está elevada: espera-se que, durante o próximo ano, o renovado museu atraia entre 700 mil a um milhão de visitantes. O palacete no alto Marais, em Paris, que se converteu na sede do Museu Picasso em 1985, voltará a abrir portas cinco anos após o encerramento, na altura devido à necessidade de renovações urgentes no edifício. A intervenção ampliará para 5700 metros quadrados o espaço para exposição no edifício.

Mas, conforme conta o El País, tudo o que podia correr mal, correu ainda pior: neste intervalo de tempo, as obras, que estavam avaliadas em 19 milhões de euros, acabaram por ficar 33 milhões acima do previsto, num total de 52 milhões de euros.

Para cobrir a diferença, foi necessário organizar exposições itinerantes do espólio do museu, que tiraram partido da impressionante coleção de cinco mil pinturas, desenhos e esculturas da autoria de Picasso. É considerada a coleção mais completa do mundo no que a Picasso diz respeito e beneficiou das doações da família após a morte do pintor.

Mas a derrapagem orçamental não foi o único revés na modernização do Museu Picasso. Anne Baldassari, a diretora do museu que tinha concebido a renovação em 2005, foi despedida pelo Ministério da Cultura francês, em resposta aos conflitos que a opunham a grande parte da equipa da instituição: todos os conservadores exigiam que Baldassari fosse destituída pela "brutalidade dos seus métodos" e pelo "clima de medo" que se vivia no museu.

As autoridades propuseram então Laurent Le Bon, que estava à frente do prestigiado Centro Pompidou e fora responsável pelas exposições de Jeff Koons e Takashi Murakami em Versalhes, para o lugar da direção. Mas a antiga diretora retaliou apoiada por Claude Picasso, filho do pintor, que insinuou que não cederia ao museu certas obras do pai se não fosse Anne Baldassari a liderar o projeto.

A muito custo, foi possível chegar a um acordo: a primeira apresentação das obras seria organizada pela antiga diretora, sendo que Le Bon trabalharia nos projetos de 2015.

Mas já esta semana, não foi Le Bon quem se viu pelas salas do museu, apresentando o renovado edifício aos jornalistas. Foi Anne Baldassari, que evitava dar explicações sobre o conflito com o Ministério da Cultura e o novo diretor, preferindo defender a sua curadoria, enquanto explicava a ordem que deu às 400 obras expostas. Uma ordem que é temática e cronológica, mas não quer ser uma coisa nem outra, dizia a antiga diretora.

A explicação oficial para a ausência de Le Bon foi uma reunião do conselho científico do museu, que exigiu que o atual diretor comparecesse, deixando a ex-diretora livre para apresentar o itinerário criado por si, que prescinde de textos explicativos, propondo que o visitante do museu "navegue" pelas várias salas sem estar sujeito a informação em excesso.

Sem que seja assumido em voz alta, diz o El País, o museu demonstra a totalidade da trajetória de Picasso, os seus períodos rosa e azul, a adesão ao cubismo, os seus anos pop e a temática bélica.

O último andar do museu alberga a coleção particular de Picasso, com obras de Cézanne, Gauguin, Degas, Matisse, Braque, Renoir, Modigliani ou Miró. E os cerca de 200 mil documentos que Picasso deixou serão organizados e explorados, conforme prometeu o novo diretor, num novo centro de investigação para análise da vida e obra do artista.

Espera-se agora que, até ao próximo sábado, nenhum imprevisto impeça a esperada abertura do renovado Museu Picasso de Paris.

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